
No dia 2 de setembro de 1987, os quatro componentes da banda Os Replicantes – Carlos Gerbase, Heron Heinz, Claudio Heinz e Wander Wildner –, ao lado da produtora do grupo, Luciana Tomasi, abriram um inquieto espaço de cultura em Porto Alegre. A casa localizada na Avenida Protásio Alves, 737, no bairro Petrópolis (zona leste da Capital), era um mix de vídeo-bar, estúdio e loja especializada em rock, com camisetas, discos em vinil, fitas cassetes e vídeos em VHS.
A origem do nome do bar remete ao início da adolescência de Gerbase. Por volta de 1970, quando veraneava em Capão da Canoa, no Litoral Norte, ele gostava de jogar fliperama em uma máquina com desenho futurista chamada Vortex.
A lembrança serviu de inspiração para batizar a primeira música que compôs, em 1983, para Os Replicantes, denominada Vortex. Além disso, um dos LPs da banda recebeu o título de O Futuro é Vortex. A palavra ainda deu nome ao selo independente do grupo e, finalmente, ao bar da Protásio Alves, administrado sob o lema “faça você mesmo”, que era derivado do movimento punk das décadas de 1970 e 1980.
— Cada um fazia o seu trabalho e um não incomodava o outro — resume Gerbase, cineasta e escritor que, na época, era o baterista da banda.

Em um tempo ainda sem MTV nem internet, os frequentadores, na maioria jovens, bebiam cervejas enquanto espiavam vídeos importados de rock em três aparelhos de televisão de tubo instalados no teto. Na sala de estúdio, os ensaios de bandas locais, como Cascavelletes, Graforreia Xilarmônica e Atahualpa y Us Panquis, eram gravados por câmera de vídeo para transmissão ao vivo nas outras dependências da casa.
— Muitos músicos, hoje reconhecidos nacionalmente, deram seus primeiros passos no estúdio de ensaios da Vortex, incentivados por esse clima de liberdade criativa — afirma Gerbase.
A casa da Protásio Alves havia sido alugada e montada com o adiantamento da gravadora RCA para a produção de dois discos de Os Replicantes. Quando acabou o dinheiro, em agosto de 1988, o bar fechou. Hoje, o local abriga um estacionamento.

— Tinha muito punk que ia lá, e punk é duro por natureza, consome o mínimo possível e se diverte ao máximo. Daí, não tinha lucro nenhum — comenta Gerbase.
A produção musical resultou em cerca de 20 lançamentos em fita cassete e mais oito em VHS, distribuídos no balcão da loja Vortex e, pelo correio, para todo o Brasil. Junto às artes das capas, esse material, agora, será reunido na série documental Um Ano em Vortex, com direção de Gerbase. O piloto foi gravado no dia 17 de dezembro passado. A produção será de Luciana Tomasi, esposa e sócia de Gerbase na Prana Filmes. O estúdio Porta da Toca e a produtora Fly Audio também participam do projeto.




