
O calorão que atinge o Rio Grande do Sul, Argentina e Uruguai, além de outros quatro Estados brasileiros, tem provocado temperaturas próximas – e até acima – dos 40ºC ao longo deste mês de janeiro - um dos mais quentes da história!
Mas por que a percepção das pessoas sobre a temperatura do ambiente varia e, quase sempre, é diferente daquela que marca nos termômetros?
Segundo a meteorologista da Climatempo, Fabiene Casamento, quando o tempo está quente e demasiadamente úmido, a sensação térmica é maior do que o termômetro marca. Se a umidade é baixa, a sensação térmica vai na mesma direção.
– Para se ter sensação térmica elevada também é preciso ter umidade alta. Por isso, apesar de alta, a sensação, neste momento, não difere muito dos termômetros (no caso do RS). Já a sensação de tempo abafado, vem mais ao longo do domingo e segunda-feira, quando haverá combinação de calor com alta umidade – explica.
Segundo a calculadora do Serviço Nacional de Previsão do Tempo dos Estados Unidos, se a temperatura do ar estiver em 42°C e a umidade em 38%, a sensação térmica será de 52°C. A exposição direta ao sol pode aumentar em alguns graus a sensação. Caso a umidade estivesse em 20% (nível considerado baixo), a sensação térmica seria de 42°C mesmo. Se a umidade fosse de zero, a sensação térmica seria de 36°C.
O suor é o mecanismo usado pelo corpo humano para se resfriar e manter a temperatura constante, perto dos 36,5°C. A questão é que, com a umidade ambiente elevada, o suor tem dificuldade para evaporar — e é justamente fornecendo calor para essa evaporação que o corpo se resfria.
Claro que se trata de uma estimativa. A depender do organismo (mais ou menos gordura corporal, tamanho, características metabólicas, uso de remédios, gravidez etc.) e da vestimenta, essa sensação pode ser afetada.
Mesmo assim, o índice pode ser um indicativo importante de risco de saúde. O organismo pode pifar se exposto a atividades físicas continuadas quando a sensação térmica é elevada. Entre os riscos estão o de desmaio, insolação e desidratação. O alerta já vale para quando a sensação térmica é de 27°C e o perigo é iminente quando ela passa dos 52°C, de acordo com o serviço do governo norte-americano.
Outro fator que pode ser importante nessa conta é o vento, especialmente em temperaturas mais frias. É como se o movimento do ar roubasse calor do corpo (o que em física é chamado de perda por convecção). Quanto mais vento, mais calor se perde. Mesmo no nosso verão o raciocínio faz sentido: nada pior do que aquele lugar quente e abafado sem nem um ventinho sequer para dar um alívio. Ou contrário, nas praias gaúchas, quando o Nordestão aparece à beira-mar.


