
O Ministério Público (MP) denunciou o cirurgião plástico Estevão José Rodrigues, 68 anos, suspeito de abusar sexualmente de pacientes. Ele está detido na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan) desde 9 de novembro. No documento apresentado à Justiça ainda na última quinta-feira (9), o MP aponta crimes de importunação sexual, coação no curso do processo e corrupção ativa de testemunha, além da prática de violação de dever inerente à profissão exercida e calamidade pública. Na época da prisão, foi apontada a suspeita de prática de atos sexuais contra nove mulheres, em grande parte no consultório na zona norte de Porto Alegre.
O advogado Gustavo Nagelstein, que representa o médico, afirma que o inquérito policial, concluído no final de novembro, apresenta delitos mais brandos do que os apontados inicialmente. A defesa ainda aguarda pelo julgamento do pedido de habeas corpus, alegando que não há motivos que justifiquem a prisão preventiva.
— A denúncia e o inquérito mostram que as acusações não sustentam o que foi inicialmente apontado pela polícia. Vamos provar a sua inocência — diz Nagelstein.
Além dos crimes de importunação sexual, Estevão é investigado por ameaçar ou oferecer vantagens para que não apresentassem relatos contra ele. A defesa alega que trata-se de uma armação arquitetada pela ex-secretária, que esteve entre as primeiras depoentes.
Ainda conforme o MP, o médico pediria para as pacientes tirarem a roupa durante o atendimento, sem necessidade, para poder praticar atos libidinosos. Durante ação da Polícia Civilm foram encontrados em seu consultório lubrificantes e preservativos, alguns deles utilizados. Além disso, investigações apontam que ele manteria seu local de trabalho sob péssimas condições. O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) abriu inquérito para apurar as condutas do médico.
Desde a operação que culminou na prisão de Estevão, a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher segue colhendo depoimentos de pessoas que afirmam ter sido vítimas do médico. Até o momento, 37 relatos já foram registrados. Outros dois inquéritos foram abertos para apurar as novas acusações: um por importunação sexual e um por lesões corporais — nesse caso, o médico responde por condutas agressivas no momento da cirurgia.



