
Às vésperas de completar quatro anos desde que Claudia Pinho Hartleben foi vista pela última vez, em Pelotas, o Ministério Público (MP) divulgou na última terça-feira (19) que pediu o arquivamento do inquérito instaurado para investigar o desaparecimento da professora. O sumiço da docente, no dia 9 de abril de 2015, entra para a lista dos casos sem solução e que deixam como herança a dúvida e o sentimento de injustiça em parentes, familiares e conhecidos.
Conforme o promotor José Olavo Bueno dos Passos, o pedido ocorre porque todas as pistas foram seguidas, sem localização de Claudia ou do corpo.
— O Tribunal de Justiça, pelo corpo não ter sido encontrado, confirmou a rejeição da denúncia. Como não se logrou êxito em obter outras provas, então se chegou à conclusão que, neste momento, não há outras investigações a serem feitas — disse Passos.
Ainda na terça-feira, uma página no Facebook que alimentava informações sobre o desaparecimento e pedia justiça para Cláudia lamentou o fato, o que foi seguido por usuários da rede. Na publicação, a página deixou uma mensagem em memória da mulher, e enfatizou:
— Hoje é a segunda morte da Cláudia!
Relembre o caso
Desaparecimento
No dia 9 de abril de 2015, após sair da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), onde dava aula e coordenava o curso de Biotecnologia, Cláudia — então com 47 anos — passou pela casa da amiga Eliza Komninou, onde ficou por duas horas. Por volta das 22h30min, saiu dizendo que iria para casa, onde morava com o filho e o companheiro, Pedro Luís Ballverdu Gomes, que, naquela noite, estava em viagem.

O trajeto entre as duas casas, que duraria cerca de 10 minutos, foi registrado por uma câmera de vigilância. O carro usado pela professora aparece em uma imagem às 22h48min. A mãe, que mora na casa ao lado, ouviu quando a filha chegou, porque o portão fazia barulho.
O desaparecimento foi percebido só no dia seguinte. Roupas, o veículo, objetos pessoais e pasta com notebook que carregava na noite anterior estavam na casa, comprovando que ela esteve lá antes de sumir. A cama de Cláudia aparentava não ter sido usada. A polícia não encontrou nenhum indício de violência, sinais de arrombamento na casa ou digitais de suspeitos. Claudia nunca mais foi vista.
Denúncia
Em dezembro de 2015, o Ministério Público (MP) de Pelotas denunciou por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e feminicídio o ex-marido da docente, João Morato Fernandes, e o filho do casal, João Félix Hartleben. A denúncia foi embasada em contradições nos depoimentos do jovem e em informações de uma ocorrência de agressão, registrada por Cláudia contra o ex-marido.
O filho da professora, João Félix, disse que estava dormindo e não viu nem ouviu a mãe chegar. Conforme a denúncia do MP, o rapaz costumava chegar em casa por volta de meia-noite e dormir mais tarde. Em depoimento, ele afirmou ter se deitado entre 22h e 23h naquela noite.
A proximidade do jovem com o pai, que tinha histórico de agressão e ameaça contra Cláudia, levou o MP a concluir que ambos participaram do assassinato dela. Ex-marido e filho negaram, em depoimento, envolvimento com o sumiço. Na época, em entrevista a ZH, Fernandes disse que nunca ameaçou a ex-mulher e que estava sendo vítima de uma "armação".
A denúncia por homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver, protocolada pelo MP em dezembro de 2015, foi rejeitada pela Justiça por falta de provas, principalmente por não haver corpo que comprovasse a morte. A promotoria recorreu em 2016, mas o Tribunal de Justiça também negou o pedido.
Manifestação
Em abril de 2018, amigos e familiares realizaram uma manifestação para evitar que o caso caísse no esquecimento. O ato foi marcado em frente ao Fórum de Pelotas, justamente para cobrar das autoridades um desfecho para o caso. "Abaixo à violência e à impunidade" foi como a manifestação foi nomeada e divulgada nas redes sociais.
Arquivamento
Na terça-feira (19), o Ministério Público (MP) divulgou que pediu o arquivamento do caso de desaparecimento de Cláudia Pinho Hartleben. Conforme o promotor José Olavo Bueno dos Passos, o pedido ocorre porque todas as pistas foram seguidas, sem localização da desaparecidas ou do corpo.




