
As maiores surpresas das pesquisas de boca de urna Ibope aos governos dos estados, vindas de Rio de Janeiro e Minas Gerais, têm diversos pontos em comum. Tanto Wilson Witzel (PSC) quanto Romeu Zema (Novo) são relativamente jovens, apresentam-se como outsiders que se aventuram na política pela primeira vez, concorrem por partidos pequenos e cresceram vinculados ao eleitorado do candidato à presidência da República Jair Bolsonaro (PSL). Ambos devem ir para o segundo turno na liderança em seus estados.
Candidato que apareceu com 39% das indicações de voto no Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC) tem 50 anos e foi juiz federal por 17 anos, com atuações em varas criminais do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Ele também é ex-presidente das Associação dos Juízes Federais do RJ e ES.
A maior parte de suas propostas são na área de segurança. A principal delas é trocar a secretaria de Segurança por um gabinete unificado com os secretários de Polícia Civil e Polícia Militar respondendo diretamente ao governador. Outra de suas propostas é adotar o modelo da Operação Lava-Jato, baseando em forças-tarefas e delações para investigar milícias e tráfico de drogas.
Embora conte com o apoio de Bolsonaro, Witzel fala em evitar confrontos em comunidades, priorizando investigações, e é um crítico da intervenção federal no Rio de Janeiro:
– Essa política de confronto é a pior possível. É a que leva terror às comunidades, que ficam reféns de bala perdida, e colocamos os policiais em risco. O crime está muito mais organizado do que a polícia. Um confronto sem que ele esteja desmobilizado é uma guerra sem controle. Operações pontuais são bem-vindas, mas com um planejamento prévio – declarou o candidato em uma sabatina ao do site UOL em junho passado.
Em pesquisa do Datafolha de 4 de outubro, Witzel aparecia em terceiro lugar, com 11% das intenções de voto. Na pesquisa de boca de urna, apareceu com 39%, passando Eduardo Paes (MDB), com 21%, e Tarcísio Motta (PSOL), com 15%. Romário (Podemos), que estava em terceiro lugar, ficou com 9%.
Em Minas Gerais, a surpresa foi a liderança do empresário Romeu Zema, do Novo.
Aos 53 anos, ele é o principal acionista do Grupo Zema, rede de varejo de Minas Gerais com mais de 400 lojas e faturamento superior a R$ 4,5 bilhões. Recentemente, ele deixou a presidência do conselho de administração do grupo para se lançar ao governo do Estado pelo Partido Novo. Ele declarou patrimônio de R$ 69 milhões ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
As propostas de Zema vão ao encontro das diretrizes do Novo, que prega enxugamento da máquina pública, austeridade nas contas públicas e "simplificação tributária".
– Simplificação tributária é um dos pontos da minha campanha. É impossível ter segurança com a complexidade atual. Nem falo em redução de carga nesse primeiro momento. Outra coisa que precisamos para melhorar o ambiente de negócios é um governo mais estável, preocupado com as contas públicas. Isso daria segurança, propiciaria investimentos e criação de empregos – declarou o candidato, em entrevista concedida à revista Exame em setembro.
Em pesquisa do Datafolha de 4 de outubro, Zuma aparecia em terceiro lugar, com 15% das intenções de voto. Na pesquisa de boca de urna, teve 41%, passando o senador Antonio Anastasia (PSDB), com 29%. O governador Fernando Pimentel (PT) aparece em terceiro lugar, com 22%.




