
Depois de décadas de experiência em um setor de mercado sempre promissor, como profissional da automação industrial, o bom-jesuense Darci Rodrigues Alano, que mora em Caxias do Sul desde 1976, recebeu uma oferta de trabalho que o deixou triste e desapontado.
– Depois dessas crise recentes que o Brasil teve não tem mais mercado para mim. Já tentei e procurei. Mas, quando tem vaga, o salário está muito defasado e nem compensa. Esses dias, uma empresa me ofereceu, com todos os anos de profissão que eu tenho, um salário de R$ 1,5 mil. Não é porque tenho cabelo branco que tenho de aceitar isso – defende-se Alano, 67, que só de plano de saúde paga R$ 1,3 mil, por mês.
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No currículo, Alano tem 20 anos de dedicação à Randon, outros 18 na Guerra, e três na Três Eixos, sempre em um dos setores mais estratégicos que é o da automação industrial. Formado pelo Senai em 1980, Alano está aposentado desde 1994. Nunca parou de trabalhar, até que, em decorrências da crise foi demitido da Três Eixos.
A alternativa encontrada por Alano é a mesma de tantos outros aposentados, sejam eles engenheiros, advogados ou professores. Alano há um ano é um dos cerca de 4 mil motoristas de aplicativos que trabalham em Caxias do Sul.
– Sou bem organizado. Trabalho diariamente, das 6h às 11h. Depois, volto do almoço e fico das 14h às 19h. Fico até começar a escurecer. Quando chega a noite é o meu horário de ir embora. É que esse é um trabalho perigoso, por isso faço só durante o dia – revela Alano, que em um ano já fez mais de 6 mil viagens.
Mas, e por que motivo o senhor não tem conseguido voltar para o mercado formal?
– Em Caxias do Sul, com 50 anos, no máximo com 60, tu está fora do mercado. Nunca me falaram diretamente que é porque eu sou velho, mas é um sentimento que eu tenho – desabafa.
Esse é um dos tantos dilemas a ser enfrentado pelas empresas, porque a sociedade está mais longeva.
– As pessoas estão vivendo mais, chegando até os 80, 90 anos. Então, as pessoas querem trabalhar mais. Até porque, no meu caso, se eu não voltasse a trabalhar, não ia me faltar nada, mas tu fica muito no limite do orçamento. Não falta, mas também tu não consegue fazer nada.
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