A palavra “abatido” em português tem sua origem no verbo “abater”, que vem do latim abbattere, composto por ad- (para baixo) e battuere (bater). O sentido original de “abater” era “bater para baixo” ou “derrubar”. Com o tempo, “abatido” passou a ser utilizado em um sentido figurado para se referir a uma pessoa que está deprimida, cansada ou enfraquecida, em referência ao estado de ser derrubado ou diminuído fisicamente ou emocionalmente.
Faz algum tempo que percebo um semblante abatido nas pessoas, seja nas ruas, nos mercados, nas filas de repartições públicas e nos pontos de ônibus. Todo mundo parece cansado, preocupado, um quê de desorientado. Há certa desesperança quanto aos rumos do país em meio à alta da inflação e à falta de perspectiva de uma melhora na economia. Estamos todos meio abatidos porque, na verdade, não foram exatamente os preços que subiram, mas foi nossa qualidade de vida e nosso poder de compra que foram sendo dizimados pouco a pouco.
Temos um governo extremamente incompetente que achou por bem promover mais endividamento por meio de um novo programa federal para impulsionar a economia num voo de galinha deprimente. Para quem viu o card com a propaganda do “Empréstimo do Lula”, resta só vergonha alheia de tanta desfaçatez: qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento sobre finanças sabe que é um escárnio dar o FGTS (dinheiro que já pertence ao trabalhador) como garantia no caso de um novo endividamento a juros “mais baixos que os juros normais do banco”.
Se o cidadão e trabalhador brasileiro precisa de dinheiro para colocar em dia seu orçamento, basta ter acesso a um recurso que — por lei, por direito e por moral — já é seu. Mas não: o governo federal age como um cafetão do erário alheio para tentar recapturar a popularidade perdida enquanto dá mais uma canja para os grandes bancos. Tudo absurdamente errado nesse país.
Mas o clima de abatimento também tem a ver com a segurança pública, porque, infelizmente, estamos sendo abatidos no sentido literal da palavra: feridos e assassinados em plena luz do dia por bandidos que deveriam estar presos, mas estão nas ruas fazendo vítimas em série. Este ano mal começou e já se colecionam casos de violência extrema, mortes estúpidas por causa de um celular, de uma moto, de nada. Uma capitã da polícia militar de São Paulo fez um forte desabafo semana passada no Encontro com Patrícia Poeta na RBS TV: “Todos os bandidos, 99%, quando a gente faz a prisão, já têm passagem policial”.
A capitã Jaqueline, nessa entrevista, também parecia abatida. O Estado que deveria manter longe da sociedade quem rouba, estupra e mata, não cumpre com seu dever. Essas feras são gestadas pela negligência: primeiro, o Estados falha em educar e formar cidadãos num ambiente de dignidade, saúde e prosperidade; e depois falha em não punir nem retirar da sociedade quem viola a lei e comete crimes horrendos contra seus concidadãos.
O ambiente no Brasil hoje, infelizmente, não está propício a ânimo algum.