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Atentado em Christchurch

Atirador transmitiu ataque às mesquitas na Nova Zelândia ao vivo e postou manifesto

Página na qual foi exibido massacre também postou manifesto de 73 páginas declarando que intenção do atirador era atacar muçulmanos

AFP


HANDOUT / HANDOUT
Imagens das armas usadas no atentado registradas pelo próprio autor dos disparos em vídeo

O atirador australiano autor dos ataques contra mesquitas da Nova Zelândia nesta sexta-feira (15), além de transmitir ao vivo a ação, também postou manifesto racista no Twitter. A polícia pediu às pessoas para não compartilharem as imagens, nas quais o agressor pode ser visto disparando à queima-roupa.

"A polícia está ciente de imagens extremamente dolorosas do incidente de Christchurch circulando na internet", afirmou a polícia local no Twitter.

"Recomendamos o não compartilhamento do link. Estamos trabalhando para que essas imagens sejam removidas", acrescentou.

Análise de cópia do vídeo postado no Facebook Live mostra um homem branco de cabelos curtos dirigindo-se à mesquita Masjid al Noor em Christchurch. Foi verificada a autenticidade do vídeo por meio de uma investigação digital, comparando as capturas de tela das imagens do atirador mostrando a mesquita com várias imagens da mesma área disponíveis na internet.

 O Facebook afirmou rapidamente que removeu o vídeo do ataque terrorista e ofereceu suas condolências às vítimas.

"A polícia nos alertou sobre um vídeo no Facebook logo após o início da transmissão ao vivo e rapidamente eliminamos as contas do Facebook e do Instagram do atirador, bem como o vídeo", afirmou  o grupo no Twitter, complementando:

"Também estamos eliminando qualquer elogio ou apoio a esse crime ou ao (s) atirador (es)".

O twitter do Facebook ainda afirma:

"Nossos pensamentos estão com as vítimas, suas famílias e a comunidade afetada pelos terríveis tiroteios na Nova Zelândia".

Um "manifesto" explicando os motivos do ataque foi divulgado na manhã desta sexta-feira em uma conta no Twitter com o mesmo nome e perfil da página do Facebook que transmitiu o atentado ao vivo.

Intitulado A Grande Substituição, o documento de 73 páginas declara que o atirador tinha a intenção de atacar muçulmanos. O título parece ser uma referência a uma tese do escritor francês Renaud Camus sobre o desaparecimento de "povos europeus", "substituídos", segundo ele, por populações de imigrantes não europeus, que está crescendo em popularidade nos círculos de extrema direita.

No manifesto, o atirador diz que nasceu na Austrália em uma família de baixa renda e completou 28 anos. Ele declara que os momentos-chaves para a sua radicalização foi a derrota da líder de extrema direita Marine Le Pen na eleição presidencial francesa em 2017 e um ataque com caminhão que causou cinco mortes em Estocolmo, em abril de 2017, incluindo uma menina de 11 anos.

O primeiro-ministro australiano Scott Morrison confirmou que o atirador da mesquita Masjid al Noor era australiano.

As autoridades da Nova Zelândia anunciaram três prisões, acrescentando ter indiciado um homem por homicídio.

No vídeo da transmissão ao vivo, o atirador está em um carro, enquanto a voz de um sistema de navegação por satélite pode ser ouvida em segundo plano. Palavras inscritas nas armas do atirador que aparecem no vídeo também correspondem a imagens postadas na conta do Twitter que publicou o manifesto. Este foi o último tuíte publicado por esta conta antes de sua suspensão.

As fotos das armas com suas inscrições específicas foram publicadas em 13 de março nesta conta do Twitter.

Também constam, em inglês e em várias línguas do leste europeu, nomes de personagens da história militar, incluindo muitos europeus que combateram as forças otomanas nos séculos 15 e 16.

Um porta-voz do ministério do Interior da Nova Zelândia alertou que é provável que o vídeo seja repreensível sob a lei do país e que o compartilhamento seja ilegal.

— O conteúdo do vídeo é perturbador e terá efeitos prejudiciais sobre as pessoas. É uma verdadeira tragédia com vítimas reais e encorajamos as pessoas a não assistirem ou compartilharem o vídeo — alertou

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