
Algo histórico acontecerá em Roland Garros a partir deste domingo (28). Pela primeira vez desde 2005, Rafael Nadal não estará na chave do Grand Slam francês. O espanhol, que impôs hegemonia no saibro de Paris, não vai competir devido a uma complicada lesão no quadril, sofrida ainda em janeiro. Diante desta baixa de peso, Novak Djokovic vai bater de frente com a nova geração, capitaneada por Carlos Alcaraz, em busca do recorde de títulos de Major.
O sérvio está empatado com Nadal na briga pelo maior número de troféus de Grand Slam na história. Ambos somam 22. Sem o espanhol no caminho em Paris, Djokovic terá chance única para alcançar o 23º, se isolando nesta lista, que muitos usam para definir quem é o melhor tenista da história.
O ex-número 1 do mundo, contudo, está longe do seu auge. Terceiro do ranking, não demonstra estar 100% recuperado de uma lesão no cotovelo e ainda não superou as quartas de final em nenhum torneio disputado sobre o saibro na temporada até agora. As performances abaixo do esperado ficaram evidentes nos Masters 1000 de Montecarlo e Madri, dois dos principais torneios no saibro, com apenas quatro vitórias somadas nas duas competições.
Nas duas ocasiões, foi eliminado por rivais da nova geração: o italiano Lorenzo Musetti e o dinamarquês Holger Rune. Eles não devem ser os únicos a apresentar dificuldade ao veterano de 36 anos. Alcaraz é o atual número 1 do mundo e forte candidato a virar o "novo Nadal" nas giras de saibro. Há ainda Jannik Sinner, jovem talento italiano, o grego Stefanos Tsitsipas e o norueguês Casper Ruud, ambos vice-campeões de Roland Garros nos últimos anos, além dos russos Daniil Medvedev e Andrey Rublev.
— Uma nova geração já está aqui. O Alcaraz é o número 1 do mundo. Obviamente está jogando um tênis incrível. Acho que isso é muito bom para o nosso esporte ter novos rostos, caras novos chegando. É normal. Falamos disso por anos, sobre a expectativa por eles, quando acontece este tipo de mudança de gerações — comentou Djokovic.
Atual campeão do Aberto da Austrália, o sérvio admite que vem sofrendo para se manter no topo com estes novos rivais, todos atualmente dentro do Top 10 do ranking.
— Pessoalmente, estou tentando me manter lá ao lado deles. Estou feliz, muito feliz, na verdade, com a minha carreira até agora. Ainda tenho aquela fome para seguir lutando — declarou o vencedor de 10 dos últimos 19 torneios de Grand Slam do circuito.
Em Paris, Djokovic será o único remanescente do chamado "Big 3", formado por Nadal e Roger Federer. O trio, que dominou o tênis masculino por cerca de 20 anos, começou a se desfazer no ano passado, com a aposentadoria do suíço. Nadal parece ser o próximo da lista. Ao anunciar que não jogaria em Roland Garros, afirmou que 2024 será seu último ano no circuito.
Sete brasileiros em ação
O Brasil estará representado por três tenistas nas chaves de simples: Thiago Monteiro, Thiago Wild e Bia Haddad Maia. Wild entrou pelo qualifying e disputará a chave principal de Roland Garros pela primeira vez. No entanto, terá a dura missão de estrear logo contra o russo Daniil Medvedev, campeão do Aberto dos EUA de 2021.
Nas duplas, o Brasil contará com cinco representantes. O experiente Marcelo Melo vai formar parceria com o australiano John Peers, enquanto Marcelo Demoliner jogará com o italiano Andrea Vavassori. Rafael Matos seguirá com seu novo parceiro, o português Francisco Cabral, e também jogará na chave mista, novamente com Luisa Stefani.
Juntos, eles foram campeões no Aberto da Austrália, em janeiro deste ano. Nas duplas femininas, ela vai jogar com a canadense Gabriela Dabrowski. Bia Haddad também entrará em quadra nas duplas, mantendo a parceria de sucesso recente com a belarussa Victoria Azarenka.
