
Victoria Bassi está recuperada de lesão e irá disputar o STU National em Porto Alegre, etapa do circuito brasileiro de skate. Ausente da competição em Criciúma depois de ter uma lesão no ligamento do tornozelo esquerdo, ela veio à Capital para fazer fisioterapia a tempo de se recuperar para entrar nas pistas da Orla no próximo final de semana.
Com 15 anos, a integrante da seleção brasileira de skate começou a andar ainda criança. Com quatro anos, embalou-se pelas primeiras vezes nas ruas de Ribeirão Pires, no interior de São Paulo. Ali, os pais, Thiago Bassi e Deise Rodrigues de Souza viram que Victoria tinha talento para o esporte e resolveram apostar na menina.
— Quando eu completei quatro anos, ganhei patins, bicicleta e um skate. Saí andando com o skate. Os amigos do meu pai perguntaram se eu sabia andar. Meu pai respondeu que eu nunca tinha subido em nada com rodinhas — relembra Victoria.
A aposta envolve muitas peripécias da família. Por exemplo, durante a pandemia, os pais construíram uma pista para Victoria no quintal de casa. A família já havia construído uma parte da casa, mas pegou o resto do dinheiro da outra parte para dar um presente para a menina (à época com 13 anos).
Pai e mãe começavam às 6h da manhã e só paravam quando a luz do dia se esvaia nos céus da Grande São Paulo. Passaram três meses cavando terra para nivelar o terreno e mais dois para efetivamente construir a infraestrutura.
— Com todos os parques fechados, a gente encontrou essa alternativa para fazer com que ela continuasse treinando. Como detalhe final, ainda grafitamos a rampa da pista com uma caricatura dela — contou Thiago, que sempre acompanha Victoria nos campeonatos.
Essa rotina do pai também já trouxe "problemas" para ele. Em determinado momento, Victoria viajaria para a China e para a Califórnia, e Thiago queria ir junto. Com férias em aberto no trabalho, pediu para a chefe dois períodos de 15 dias para acompanhar a filha. Com a negativa no emprego, pediu demissão de onde trabalhava há 13 anos. Desempregado, acompanhou a viagem.

Em outra oportunidade, os pais de Victoria precisavam fazer uma escolha. Pagar as contas ou usar o dinheiro para ajudar a filha. Optaram por mais uma viagem. No entanto, dessa vez, as coisas não deram tão certo. Assim que voltaram para casa, luz e água estavam cortadas. Nada que não pudesse ser resolvido depois.
Dos Estados Unidos à China. De norte a sul do Brasil. Não existe onde os pais de Victoria não a acompanhem. E, na maioria das vezes, de carro. No ano passado, pegaram mais de 25 horas de estrada na volta para São Paulo. Dessa vez, vieram de Criciúma direto para cá.

