
Até que este ano demorou.
É só o fim do campeonato se tornar uma realidade iminente e começa o festival de acusações definitivas sem provas de espécie alguma. Fosse em qualquer outra segmento da vida social, o caminho seria um só: calúnia, difamação, processo, sentença, culpa, pena. Simples assim, sem choro nem vela. Mas é o futebol, e o futebol aceita tudo.
Então somos obrigados a testemunhar o debate entre dois cartolas jurássicos. Um deles é Eurico Miranda, presidente do Vasco. Este dispensa apresentações. Há décadas, o Capo da Colina dá as cartas em São Januário, agindo como se o clube dependesse de seu cajado santo. Decide quem entra e quem sai do estádio. Já foi flagrado levando o dinheiro da renda de um jogo para algum lugar.
O outro é Delfim Peixoto de Pádua Lima, presidente da Federação Catarinense de Futebol. Há 30 anos ele impede a oposição de se criar em seu curral eleitoral. Quantos ditadores conseguem ficar tanto tempo no poder mundo afora? Raros. Delfim segue a mesma linha de Eurico. Vive no passado. Foi Pádua quem expulsou a auxiliar Fernanda Colombo por ser bonita demais e chamar a atenção dos homens, para se ter ideia.
O árbitro Ricardo Marques Ribeiro errou o que podia e não podia no empate em 1 a 1 de Vasco e Chapecoense, no Maracanã. Prejudicou muito mais o Vasco. Sonegou um pênalti a favor e marcou outro, contra, inacreditável. A pior arbitragem do ano, segundo análise do comentarista Márcio Chagas, que até bem pouco tempo apitava. E bem, como indica a sua prateleira de prêmios em casa.
Eurico Miranda vibrou. Era a chance de arrumar um bode expiatório para o rebaixamento do Vasco, que é questão de tempo. Acusou Delfim de tramar uma conspiração contra o Vasco e salvar ao menos um dos catarinenses. Todos eles (Joinville, Avaí, Figueirense e Chapecoense) estão ameaçados. Podem cair os quatro. Sem prova alguma, Eurico acusou complô. Delfim seria vítima não tivesse confessado que costumava visitar os vestiários dos árbitros. Como é? Com que objetivo?
Ele jurou que só dava uma passadinha no vestiário dos árbitros no Campeonato Catarinense, pois a CBF proíbe no Brasileirão. Mas no dia 4 de julho jogaram Chapecoense e Vasco na Arena Condá. Por coincidência, o apito estava na boca do mesmo Ricardo Marques, e ele relatou a visita de Delfim em súmula. Para cumprimentar, ele escreveu. Mas vamos combinar: é óbvio que constrange e intimida. O vestiário da arbitragem é sagrado.
Quem tem razão, Delfim ou Eurico? Nenhum. Eles estão só se promovendo. Eurico, diante da torcida do Vasco. Delfim, como defensor catarinense. São dois dirigentes velhos no sentido de suas práticas, sempre criando inimigos imaginários, complôs lunáticos e procurando bodes expiatórios. Eurico e Delfim resumiram, em um bate-boca, por que chegamos ao 7 a 1. Eles são o próprio rebaixamento do nosso futebol.
Não precisamos deles.
*ZHESPORTES



