
O Ministério Público do Rio Grande do Sul esclareceu na manhã desta quinta-feira (11) alguns pontos sobre a quarta fase da Operação Rebote, nomeada de Operação Prorrogação. Nela, os promotores apontam novos desvios de dinheiro feitos por dois dirigentes colorados com empresas de turismo contratadas pelo Inter na gestão do biênio 2015/2016.
O MP não revelou as identidades dos denunciados. Mas, em apuração feita por GZH, os dois cartolas denunciados são Pedro Affatato, ex-vice-presidente de Finanças, e o ex-presidente Vitorio Piffero.
Em entrevista coletiva, o promotor de Justiça da Especializada Criminal do MP-RS, Flávio Duarte, apontou quais foram alguns dos destinos desses valores gastos por Affatato.
— O Inter tinha contrato com empresas de turismo do Paraná para organizar o translado dos jogadores no Brasileirão, e algumas dessas empresas faziam fraudes. Simulavam viagens que não aconteciam e, com os valores, foram pagas hospedagens no Rio de Janeiro entre Natal e Réveillon para esposa, irmão da esposa, filho, genro daquele dirigente. No total, foram oito pessoas, despesas caras. Mesmo esquema foi usado para pagar ceia de Réveillon no Copacabana Palace, viagem para a China para o pai desse dirigente e cruzeiro para o Caribe — revelou Flávio Duarte.
Já Vittorio Piffero aproveitou-se deste esquema, simulou adiantamentos de valores das agências de turismo e comprou um carro de luxo em Porto Alegre para a esposa, um Toyota SW4 — ela também faz parte da denúncia do MP-RS.
De acordo com a investigação, as notas falsas das agências de turismo tinham o mesmo padrão das fraudadas por empreiteiras, reveladas na primeira fase da Operação Rebote. A reportagem apurou que parte das provas levantadas pelo MP veio das quebras dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos. Também contribuiu a apreensão de documentos em uma das agências de turismo que teria participado do esquema, em fase anterior da Operação Rebote. Os nomes dos dirigentes não foram citados na coletiva.
— Eram notas genéricas, com problemas de numeração, e esse mesmo padrão se repetia para a prestação de serviços da área de turismo — apontou Duarte.
Pedro Affatato e quatro empresários da área de turismo foram denunciados por organização criminosa, estelionato e ocultação de bens. Já Vitorio Piffero foi denunciado por estelionato e ocultação de bens. A esposa dele também responderá por ocultação de bens.
Conforme a investigação, os sete denunciados obtiveram para si, em prejuízo ao clube, mais de R$ 340 mil entre 2015 e 2016. Tanto Affatato e Piffero quanto o restante dos citados ainda não são réus. A 17ª Vara Criminal de Porto Alegre deverá se manifestar sobre a aceitação da denúncia do MP-RS.
É a segunda vez que Piffero e Affatato são denunciados pelo MP por supostos desvios do caixa do Inter. Em fase anterior da Operação Rebote, eles tornaram-se réus no chamado "núcleo de obras". A investigação verificou que empresas de fachada emitiram notas fiscais de reformas e construções que não teriam ocorrido e que serviram para saques de recursos em benefício de ex-dirigentes.
Contraprontos
- A defesa de Pedro Affatato diz que irá contestar as acusações formuladas apenas nos autos da ação penal proposta.
- Procurada por GZH, a defesa de Vitorio Piffero ainda não se manifestou.





