
Se voar durante muito tempo em aviões comerciais, com toda a comodidade e serviço de bordo, já é cansativo e desgastante, o que dirá voar por horas ininterruptas em cabines apertadas e nem sempre confortáveis de planadores. Ainda assim, em meados do século passado, em Osório, no Litoral Norte, pilotos gaúchos bateram sucessivos recordes nacionais e sul-americanos de permanência no ar a bordo de aviões sem motor. Esses recordes, hoje, fazem parte da história da aviação gaúcha.
O leitor Jorge Ricardo González, engenheiro mecânico de 76 anos, que obteve seu brevê para pilotar planadores em 1962, mandou para a coluna uma relação de pilotos recordistas das colinas de Osório, aproveitando as condições extremamente favoráveis da região para o voo com esses modelos de aviões.
— Quando incidem nas encostas da Serra Geral, os ventos são defletidos para cima, criando ótimas correntes ascendentes — afirma González.

Ele salienta que, em 1954, os pilotos Adalberto Jayme Meneghini e Almiro E. Barrichello voaram na região de Osório com um planador modelo Neiva B Monitor, do Aeroclube de Planadores Albatroz, durante 11 horas e 37 minutos, quebrando novo recorde de voo sul-americano em biplace. Para quem acha que é tempo demais distante do solo, é bom saber que, na Europa, alguns pilotos chegaram a voar em planadores por mais de 50 horas, com parte da jornada à noite, correndo enormes riscos devido a equipamento precário para voo noturno, pistas inadequadas e, principalmente, fadiga humana.

Bem, não por acaso, esses voos demasiadamente prolongados ocasionaram uma quantidade considerável de acidentes, a tal ponto que a Fédération Aéronautique Internationale, órgão que regula os esportes aéreos no mundo, desencorajou a prática de tais voos e até deixou de homologar os recordes de permanência no ar com planadores.
Seja como for, é preciso louvar a força de vontade e a capacidade física desses recordistas do século passado, que contribuíram para divulgar o voo a vela e também para promover Osório como local excepcional para a prática desse esporte. É de se esperar que o exemplo deles ajude a preservar o aeródromo de Osório por muitos anos, para regozijo dos que fazem da paixão pela aviação um estilo de vida.
Veja a sequência de recordes de voos de longa distância em planador alcançados nos Acampamentos da Varig Aero Esporte (VAE), escola de pilotagem da Varig, na década de 1940 (em ordem cronológica):

1940
José Wingen, 5h58min, monoplace (recorde brasileiro).
Carlos H.Ruhl, 7h36min, monoplace (recorde sul-americano).
José Wingen, 5h58min, biplaces (recorde sul-americano)
1941
José Wingen, 8h2min, monoplace (recorde brasileiro)
Erwin Wendorf, 10h12min, monoplace (recorde brasileiro)
Goetz Hersfeldt, 7h12min, biplace (recorde sul-americano)
Franz Schubert, 11h14min, monoplace (recorde brasileiro)



