
O período do distanciamento social, ação empregada para tentar conter o avanço da pandemia de coronavírus, é encarado como de maior risco para as vítimas de violência doméstica. Isso porque elas acabam ainda mais isoladas. Neste cenário, uma associação de Cachoeirinha, na Região Metropolitana, criou campanha para trocar máscaras de proteção contra o vírus por doações. Os alimentos e recursos arrecadados serão investidos no suporte às mulheres. As máscaras são estilizadas, com mensagem que incentiva a busca por ajuda.
A iniciativa é da Associação de Justiça e Apoio às Mulheres (Ajam), entidade inaugurada em março no município como forma de prestar assistência às mulheres vítimas de violência. Até o momento, foram produzidos dois lotes de máscaras, num total de 200 equipamentos de proteção. Nelas, são impressas a mensagem: "AJAM Contra a violência! Denuncie: 180", em referência ao serviço de recebimento de denúncias oferecido pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.
— A intenção da campanha é criar um alerta do que estamos vivenciando hoje. E também é chegar nessa mulher, que possui medida protetiva. Muitas vezes ela pode não conseguir pedir ajuda porque o agressor está ali perto, impedindo que ela tenha acesso ao telefone ou WhatsApp. Ao entregar a cesta básica, consegue-se identificar se ela está precisando ou não de ajuda. E atender essa família, que está envolvida nesse contexto de violência — explica Sueme Pompeo de Mattos, presidente da Ajam.
Para receber a máscara, basta entrar em contato com associação ou fazer a doação diretamente na Brigada Militar (BM) de Cachoeirinha. A campanha não é limitada ao município, já que os itens podem ser remetidos para outras cidades. Cada máscara é trocada por cinco quilos de alimentos não perecível — que são reunidos para montar cestas básicas - ou o valor de R$ 10 (veja endereços e telefone de contato ao lado). Os alimentos arrecadados estão sendo entregues às mulheres que têm medida protetiva e são atendidas pela Patrulha Maria da Penha, da BM.
Protetivas

No dia 24, foi realizada a entrega dos primeiros 17 kits com alimentos montados a partir das doações obtidas com a campanha. A intenção é alcançar, pelo menos, as 95 mulheres que com medida protetiva no município. Para além disso, segundo a advogada, o objetivo é despertar nas pessoas a necessidade da sociedade ser responsável pelo combate à violência.
— Há pouco tempo, dizia-se que "em briga de marido e mulher, não se mete a colher". Estamos evoluindo, mas precisamos melhorar muito. Queremos que essa campanha cresça e esteja presente em outros municípios — afirma Sueme.
O trabalho da associação no município, além da assistência jurídica, prevê o apoio à mulher com atendimento psicológico e assistência social. A entidade pretende promover cursos, que permitam fortalecer a mulher, incluindo a melhora na geração de renda, e fazer com que perceba que está envolvida num ciclo de violência, para então buscar ajuda.
— A solidariedade é fundamental, a chamada sororidade. É preciso criar essa consciência de ajudar e não julgar, não criticar. As mulheres mesmo acabam dizendo que a outra está apanhando porque quer. É preciso se colocar no lugar do outro — conclui Sueme.
Como participar

As doações podem ser entregues diretamente no 26º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Cachoeirinha, localizado na Avenida Flores da Cunha, 3417. O contato também pode ser realizado diretamente com a AJAM pelo WhatsApp (51) 99767-8855. A máscara é produzida em tecido, sendo lavável e atóxica. A entrega pode ser acertada com a associação.
A campanha também incentiva que os participantes publiquem nas redes sociais foto e vídeo com a máscara e com uso de hashtags como #NaoSeCale #Denuncie #AJAM #JuntasContraViolencia #VamosAgir #VaiPassar e #EpidemiaViolenciaContraMulher. A intenção é fazer com que a mensagem sobre a importância de combater esse tipo de delito se espalhe.
Como denunciar
Brigada Militar
- Telefone: 190
- Horário: 24 horas
Polícia Civil
- Endereço: Delegacia da Mulher de Porto Alegre (Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da Polícia), bairro Azenha. As ocorrências também podem ser registradas em outras delegacias. Há 23 DPs especializadas no Estado.
- Telefone: (51) 3288-2173 / 3288-2327 / 3288-2172 ou 197 (emergências)
- Horário: 24 horas
Como ajudar
Se você tem uma amiga ou familiar, que pode ser vítima de violência, mantenha contato com ela, mesmo durante o confinamento. Uma boa estratégia é usar o telefone ou aplicativos de mensagens.
Fique atento ao que acontece ao seu entorno. Mesmo em casa, se suspeitar que uma vizinha está sendo agredida (se ouvir gritos ou pedidos de socorro, por exemplo), entre em contato com a Brigada Militar pelo 190. Esqueça a premissa "em briga de marido e mulher não se mete a colher".
Caso alguma pessoa esteja sendo vítima de violência, ofereça-se para ir com ela até uma delegacia para registrar o caso. Em tempos de isolamento social, uma opção é dar apoio por telefone e até mesmo por videochamada. Assim, ela não se sentirá sozinha.
Informe-se por telefone, internet e outros meios de comunicação sobre os serviços para as vítimas de violência em sua cidade. A informação sobre os locais onde as mulheres podem pedir ajuda auxilia no encorajamento.

