O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, na manhã desta terça-feira (18), em entrevista para a Rádio CBN que não pretende, por ora, discutir as eleições de 2026.
— Eu ser candidato não é primeira hipótese. Tem muita gente boa para ser candidato, não preciso ser.
Por outro lado, destacou que, se necessário, pode, sim, disputar a reeleição.
— Se for necessário, para evitar que trogloditas voltem a governar. Não permitirei que o Brasil seja novamente governado por negacionista — afirmou.
O presidente disse que em 2026 estará com 80 anos e "no auge" da vida.
Críticas ao presidente do Banco Central
Para o petista, a economia do país está indo muito bem e vai fechar o ano com bons resultados. Contudo, afirmou que há uma coisa desajustada no Brasil: a condução do Banco Central (BC). Segundo ele, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, não demonstra "nenhuma capacidade de autonomia, tem lado político e trabalha muito mais para prejudicar do que para ajudar o país".
Na avaliação de Lula, não há explicação para a taxa de juros estar no nível que está. E nesta terça-feira, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) inicia a primeira etapa da reunião que pode colocar um ponto final no ciclo de cortes da taxa básica de juros, a Selic, com perspectiva de mantê-la a 10,50%, Lula criticou:
— Eu acho muito triste porque o Brasil não precisa disso, há um grau de confiança grande no país. Temos uma situação que não necessita dessa taxa de juros, é proibitiva para investimentos no setor produtivo. É preciso uma taxa de juros compatível com a inflação, que está totalmente controlada — declarou.
Na entrevista, Lula disse que os defensores dessa taxa Selic ficam "inventando discursos de inflação no futuro", enquanto é preciso trabalhar em cima do real:
— Temos um bom momento, com inflação controlada, país e emprego crescendo, queremos atrair mais investimento e que o BC se comporte para ajudar e não para atrapalhar.
Perplexo pelo alto volume de isenções sem contrapartida
O presidente contou que ficou perplexo com o cenário apresentado por sua equipe econômica, com relação à necessidade de ajuste fiscal versus o volume de isenções.
—A equipe econômica tem que me apresentar a necessidade de corte. A gente discutindo corte de R$ 15 bilhões e daí descobre que tem R$ 646 bilhões em benefícios para os ricos — afirmou.
Na sua avaliação, o problema do Brasil é que a parte mais rica tomou conta do orçamento. "É muita isenção sem que haja reciprocidade."
E repetiu que está disposto a discutir orçamento com todos os segmentos, inclusive com os empresários. E cobrou contrapartida da desoneração, destacando que é preciso ter compromisso com o trabalhador.
— Sobre falta de contrapartida em relação à desoneração: achamos que não é normal.
Com relação aos gastos, Lula disse que aprendeu com a sua mãe a não gastar o que não tem.
— É por isso que estamos fazendo estudo sério sobre orçamento. País cresce acima do que o mercado imaginou, gerando emprego, salário crescendo. Situação é boa do ponto de vista econômico, melhor do que pegamos. O PAC está em andamento, este será o ano da nossa colheita — declarou.
Ajuste fiscal
Lula destacou que o governo está avaliando diversas alternativas para fazer o ajuste fiscal, dentre eles, se há "exagero" em alguns programas sociais. Ele destacou que nenhuma alternativa está descartada, mas garantiu que o governo não fará ajustes em cima dos pobres.
— Não me venham querer que faça ajuste em cima das pessoas mais humildes.
E argumentou:
— Nós estamos investigando se tem casos exagerados em alguns programas sociais, se tem abuso, sem tem gente recebendo o que não deveria. Tudo isso está sendo investigado para que a gente possa entregar uma proposta daqui a 22 dias para o Congresso Nacional.
E disse que está disposto a discutir desoneração não apenas com os congressistas, mas também com o empresariado.
— Estou disposto a discutir, mas que a gente faça para que o povo mais humilde não seja o mais prejudicado — acrescentou Lula, reiterando que tem divergência profunda e conceitual sobre o que é gasto e investimento.
De acordo com o presidente, a equipe econômica irá apresentar a necessidade de cortes.
E voltou a tecer críticas:
— As mesmas pessoas que falam que é preciso parar de gastar são as pessoas que tem R$ 646 bilhões em isenção, desoneração de folha. São os ricos que se apoderam de uma parte do orçamento do país e eles se queixam com o que está gastando com o povo pobre. Acabamos de aprovar a desoneração para 17 setores, qual é a contrapartida que esses grupos trazem para o trabalhador? — indagou.


