
Um dos personagens que marcaram o futebol gaúcho nos anos 1990, Alex Rossi receberá uma homenagem em sua cidade natal, Cacequi, na região central do Estado. No sábado, será inaugurada uma estátua do ex-atacante, bicampeão gaúcho pelo Inter, e de passagens por outros clubes sul-americanos, em frente ao Estádio Municipal Humaitá. Segundo os organizadores, trata-se de um reconhecimento não só à carreira do jogador como também à volta por cima que tem conseguido dar em sua vida.
Alex Rossi, hoje com 55 anos, admitiu publicamente uma dependência química. Em 2014, em entrevista a ZH, contou sobre sua luta contra o crack. Ele foi internado em uma fazenda para desintoxicação. Desde então, ficou em Cacequi e tem feito trabalhos de serviços gerais.
— Atualmente, estou cortando grama — disse Alex.
O ex-atacante, curiosamente, é protagonista de um dos títulos mais polêmicos do futebol gaúcho. Em 1991, o Gauchão seria decidido em dois ou três Gre-Nais, dependendo dos resultados. O Inter, dono da melhor campanha, tinha a vantagem de empatar em pontos (não importando o saldo) para ser campeão no playoff.
No Olímpico, Alex Rossi fez o gol da vitória do primeiro clássico. A segunda partida seria no Beira-Rio, e os colorados seriam campeões com um empate. Mas o Grêmio venceu por 2 a 0. Foi necessário um terceiro encontro, com igualdade no placar servindo ao Inter. O 0 a 0 no Beira-Rio valeu o troféu, interrompendo uma série de seis conquistas tricolores.

Neste último jogo, Alex se envolveu em uma confusão com Renato Portaluppi, que havia voltado ao Grêmio logo após o primeiro rebaixamento. O ídolo assinou um contrato de três meses, apenas para a disputa do Gauchão.
Mas não foi "apenas" pelo gol e pela expulsão que esse campeonato ficou marcado. O Grêmio entrou na Justiça e tentou ganhar o título no tribunal, porque os jogadores do Inter não fizeram exame antidoping. Alex não estava entre os atletas sorteados. O caso se arrastou, mas os auditores do TJD mantiveram os resultados de campo.

Depois do Inter, Alex atuou também em Cerro Porteño (campeão paraguaio), Rosario Central, Universitario-PER, Corinthians, Osasuna, Avaí e foi vice-campeão brasileiro com o São Caetano. Quando acabou sua vida no futebol, caiu nas drogas e tem feito tratamento desde o começo da década de 2010.
A homenagem vem em um bom momento de sua vida. Alex garante que está feliz fazendo serviços gerais. Ele também joga futebol amador no estádio cuja entrada principal agora está enfeitada com a estátua, obra do artista local Luca Delomo. E sobre a escultura, afirmou:
— Gostei muito. Está a minha cara. Feliz, comemorando, braços abertos, bola no pé. É uma honra receber essa homenagem em minha cidade, onde nasci, moro e sou feliz.
A cerimônia será no sábado. Logo depois, Alex entrará em campo. Com o mesmo estilo agressivo, potente e irreverente que lhe rendeu o apelido quando jogava: Touro Indomável.

