
Depois de mais de quatro anos e meio e sete títulos conquistados, Renato Portaluppi deixou de ser técnico do Grêmio nesta quinta-feira (15). A oficialização foi feita pela direção nesta tarde. GZH listou sete motivos que ajudaram a causar o desgaste do treinador até a eliminação na fase preliminar da Libertadores com duas derrotas para o Independiente del Valle, o capítulo final da maior longevidade de um técnico na história do clube.
1) Eliminações recentes e em série
Embora o período de Renato no comando do Grêmio tenha sido vencedor, a última grande conquista já completou três anos: a Recopa Sul-Americana de 2018. O título que veio nos pênaltis sobre o Independiente fechou uma sequência três temporadas seguidas com taças importantes depois da Copa do Brasil de 2016 e da Libertadores de 2017. Desde então, mesmo que tenha sempre estado entre os principais times do país, o Tricolor venceu apenas títulos regionais.
Desde 2019, o clube acumula eliminações mostrando pouco futebol nos jogos decisivos. Foi assim nas últimas Libertadores, quando acabou goleado por Flamengo (5 a 0) e Santos (4 a 1). Na Copa do Brasil deste ano, o Tricolor chegou à final, mas foi batido nos dois jogos sem muita dificuldade pelo Palmeiras. A queda para o Del Valle veio também com duas derrotas tendo o placar agregado de 4 a 2.
2) Repertório tático
Aquele Grêmio que encantou e foi apontado como o melhor time do Brasil pela alta posse de bola, trocas de passes e domínio no campo de ataque há algum tempo não aparece em uma sequência de jogos. Renato teve dificuldade para manter esse padrão de jogo a partir da perda de atletas como Luan, Douglas, Arthur e o envelhecimento de peças como Maicon e Geromel, principalmente.
O sistema de marcação com encaixes individuais também passou a ser melhor explorado pelos rivais. O segundo gol do Independiente del Valle na quarta-feira foi um exemplo. A movimentação do meia Vite tirou Kannemann da área e gerou o espaço para o atacante Ortíz receber sozinho para virar o placar.
3) Insistência com algumas peças
A queda de desempenho do Grêmio gerou críticas a muitos jogadores. Alguns deles, no entanto, seguiram tendo a confiança de Renato Portaluppi. O nome que melhor representa isso é Alisson, titular até o último jogo do treinador. O atacante, que teve muitas vezes sua titularidade ligada à parte tática, fez apenas três gols em 46 jogos na última temporada. Na atual, balançou as redes uma vez em cinco partidas. Outro jogador foi Thaciano, que acabou até escalado como titular na final da Copa do Brasil, contra o Palmeiras, e nunca esteve no gosto da torcida. Embora tenha sido defendido por dirigentes, o meia acabou emprestado para o Bahia no mês passado.
4) Demora na descoberta de jovens
Enquanto o Grêmio sofreu na reta final da última temporada com jogadores cascudos dando pouco resultado, casos dos goleiros Vanderlei e Paulo Victor, do lateral Victor Ferraz, dos zagueiros Paulo Miranda e David Braz, e dos atacantes Luiz Fernando e Alisson, jovens como Ferreira, Vanderson, Brenno e Ruan demoraram para ter oportunidades. Quando jogaram, mostraram melhor nível que os mais experientes.
5) Atritos na busca por reforços e apostas sem resultado
Renato Portaluppi costumava conversar com jogadores que pretendia trazer para o Grêmio. Dessa forma, algumas vezes ele buscou reforços que não estavam de acordo com o que pretendia a direção. O último caso foi o de Rafinha, que o presidente Romildo Bolzan Jr. chegou a falar publicamente que havia exercido seu papel de mandatário do clube para vetar a contratação. Dias depois, o lateral foi anunciado pelo clube pela insistência do treinador. A medida desagradou outros membros da direção, que foram pegos de surpresa.
O meia Thiago Neves foi outro caso. Homem de confiança de Renato, ele teve o contrato rescindido por decisão da direção após uma série de partidas ruins.
6) Desgaste com parte da direção
O longo tempo de trabalho no Grêmio teve alguns atritos com parte da direção, principalmente membros da parte administrativa. Atual comandante do futebol, o CEO Carlos Amodeo foi um dos nomes que entrou em rota de colisão com o treinador. No Conselho de Administração, ele não era unanimidade quando teve contrato renovado antes da final da Copa do Brasil. Um motivo para a prorrogação foi o fato de que mesmo com a perda do título – o que de fato acabou acontecendo – havia um período curto para preparar a equipe para a fase preliminar da Libertadores.
7) Brasileirão em segundo plano
As temporadas de Renato Portaluppi no comando tricolor foram marcadas pela estratégia de dar prioridade para as competições de mata-mata. A decisão de poupar jogadores até mesmo em rodadas inicias do Campeonato Brasileiro foi alvo de críticas internamente e também de torcedores e da imprensa. No último Brasileirão, a campanha de apenas sexto lugar, que levou o clube para fase preliminar da Libertadores, foi marcada pelo recorde de empates, 17 no total, muito deles com a equipe tendo jogadores poupados.



