
O abatimento do técnico Renato Portaluppi após a derrota para a Universidad Católica, nesta quinta-feira (4), por 1 a 0, foi a síntese de uma noite em que nada deu certo para o Grêmio no Chile. Ainda no vestiário do Estádio San Carlos de Apoquindo, em Santiago, o treinador teve de explicar uma das piores atuações que o time teve sob seu comando. Com apenas um ponto somado em três rodadas, a equipe está em situação complicadíssima no Grupo H da Libertadores e agora se vê obrigada a vencer as três partidas restantes e torcer por tropeços dos adversários para seguir com chances de se classificar para as oitavas de final.
Erros de passes, apatia, lentidão, falta de criatividade e falhas defensivas foram alguns dos problemas que ficaram evidentes no Grêmio contra a Católica. O baixo desempenho de nomes importantes para o time, como Luan, Michel e Geromel também comprometeu. Após o jogo, Renato admitiu a superioridade do adversário e viu justiça no placar.
— Precisamos continuar trabalhando em busca das vitórias para termos uma chance de classificação. A equipe não esteve bem hoje (quinta-feira), muito abaixo daquilo que podemos apresentar. Erramos muitos passes, nada deu certo. A vitória da Católica foi merecida. Não fizemos nada para sair daqui com um resultado melhor — avaliou Renato.
Entre todos os clubes brasileiros na Libertadores, o Grêmio é o que tem pior campanha. Mesmo que tenha esperanças de reverter a má situação, Renato sabe que obter uma vaga nas oitavas de final tornou-se um objetivo muito complicado.
— Ainda dá, mas a gente precisa acordar na competição. Foram três jogos e só um ponto. Chance de classificação a gente tem. Temos de corrigir coisas que não estão acontecendo e eram naturais. Nos últimos jogos, não tivemos poder de reação. Mas Libertadores é assim. Se a gente quiser passar para a próxima fase, teremos de vencer — completou o técnico.
Ainda na saída de campo, o atacante Everton criticou a postura que o Grêmio teve contra a Católica. Um dos principais nomes da equipe, o Cebolinha entende que o time perdeu seu futebol envolvente nas últimas partidas.
— Não tem explicação. Nós fomos muito passivos, deixamos fugir nossas características. Agora nós temos que focar total. Se bobear, ficaremos fora (da competição) — disse Everton.
O goleiro Paulo Victor disse acreditar na força do grupo para que o Grêmio possa reverter a má fase e se manter na briga por uma vaga nas oitavas da Libertadores.
— Tomamos um gol em uma bobeira nossa. Não tem que procurar culpado, acho que, independentemente de qualquer momento, a gente tem de estar sempre unido. Sabemos que não fizemos um jogo à altura. Agora é colocar a cabeça no lugar para conseguir classificar. Enquanto tiver oportunidade, lutaremos até o final — observou o goleiro.
O diretor de futebol Alberto Guerra relatou o clima de tristeza entre os jogadores no vestiário após a derrota no Chile. O dirigente disse que o Grêmio "não está vencido" e acredita no poder de reação da equipe para a sequência da Libertadores.
— Esse time já mostrou que joga mais do que apresentou hoje (quinta-feira). Neste ano mesmo, nossa equipe já provou que pode dar mais em campo. Se der, a gente consegue as vitórias — comentou Guerra, que ainda completou:
— Não diria que o time desencaixou. As coisas não deram certo. Libertadores é uma competição aguerrida, competitiva. O Grêmio precisa entrar neste ritmo. Até pela forma como a equipe cadencia o jogo, não propicia tanto esta forma de jogar. Também temos de elogiar os adversários. É reconhecer que erramos e trabalhar para melhorar.
Ao lado do técnico Renato Portaluppi na entrevista, o zagueiro Walter Kannemann saiu em defesa do grupo do Grêmio após a derrota para a Universidad Católica. O argentino lamentou a má atuação e o resultado que deixa o time gaúcho em situação complicadíssima na Libertadores. Também coube a ele justificar os erros defensivos no Chile, sobretudo em duas chances que o centroavante Sáez teve dentro da área.
— Não estamos acomodados, todos brigam e se doam ao máximo. Às vezes temos erros, acontece. Precisamos ver o que está dando errado. O gol deles foi um cruzamento à meia altura na ponta da área. O atacante fez uma diagonal para trás e chutou acertando o segundo pau. E na outra bola eu tinha saído, o Geromel me cobriu e o Cortez estava com dois. Não são erros da zaga, são erros de todo mundo — destacou Kannemann, que completou:
— Não vamos mentir. Acho que não tivemos um jogo bom hoje. Deixamos a desejar muitas coisas. Todo mundo tentou dar o máximo, mas não alcançou. Temos que parabenizar o adversário e pensar nas cosias que temos que corrigir, jogador por jogador.
O zagueiro lembrou da campanha do San Lorenzo, na Libertadores 2014, quando o time argentino classificou-se na última rodada da fase de grupos e depois foi campeão.
— Temos de dar alguma coisa a mais. Já estive em um time que se classificou fazendo matemáticas no último jogo e conseguimos o título. O Grêmio não vai se dar por vencido. Vamos enfrentar o Gauchão e dar o máximo na Libertadores até o final — disse Kannemann.



