O CEO da Regional Sul da Cyrela, Rodrigo Putinato, e o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS), Aquiles Dal Molin Júnior, debateram o futuro da construção civil no período pós-pandemia, nesta quarta-feira (12), no quadro Painel Atualidade, na Rádio Gaúcha. Os dirigentes também destacaram as mudanças de necessidades dos consumidores e o fortalecimento do investimento em imóveis, impulsionado pela redução de juros e ampliação de crédito.
Nas quartas-feiras, o quadro dentro do programa Gaúcha Atualidade ouve representantes de setores para provocar o debate e estimular a busca por alternativas para a diminuição do impacto negativo causado pela pandemia na economia do Rio Grande do Sul.
O que é o Painel Atualidade?
Trata-se de um novo quadro semanal dentro do Gaúcha Atualidade, que pretende provocar o debate e estimular a busca por alternativas que ajudem a minimizar o impacto negativo da crise do coronavírus na economia do Rio Grande do Sul. A iniciativa faz parte do projeto de Jornalismo de Soluções proposto pelo Grupo RBS, que busca o debate para enfrentar e resolver os problemas diagnosticados.
O Sinduscon-RS tem 300 empresas associadas e mais de 11 mil empresas cadastradas em todo o Estado. O grupo Cyrela, um dos maiores do setor imobiliário no país, informa que conta com “mais de 200 mil famílias vivendo em lares que construímos”.
Cenário
— O que nós sentimos aqui foi que tivemos em março, abril e maio, devido ao início desse movimento da pandemia, de paralisação, que todo mundo, toda a população, os compradores, os clientes ficaram meio perplexos e pararam. Então, a gente teve uma pequena baixa na procura. Só que em seguida veio um movimento em junho e em julho muito forte. Acho que as pessoas estão valorizando cada vez mais o bem estar na sua casa e essa procura aumentou muito — descreveu o CEO da Regional Sul da Cyrela, Rodrigo Putinato.
Mudança de necessidade
— Hoje, todo mundo que está em casa vê que o canto que você usava… você precisa de um espaço um pouco maior. A gente vê que a demanda cresceu exponencialmente, até a parte de loteamento, casas, apartamentos maiores. A procura foi bastante grande. (...) O perfil do comprador não mudou. O que mudou, na verdade, foi a necessidade pujante dessas pessoas querendo morar melhor. (...) Tem pessoas que precisam de espaço e tem pessoas que precisam de localização. A gente sente também um aumento crescente por unidades pequenas, mas essa pessoa quer estar bem localizada. Ele precisa descer e ter as conveniências no seu entorno. Então, essa demanda, na verdade, a gente vai adequando ao perfil — afirmou Putinato.
— Estamos vivendo um momento de grande alteração nos nossos hábitos, obrigados por esse confinamento compulsório. Já vivemos quase 180 dias nessa situação e as perspectivas até vir a vacina que irá imunizar grande parte da população é de que ainda teremos de viver alguns outros dias nessa situação. Isso trouxe obviamente um novo olhar sobre a nossa vida, sobre o espaço em que vivemos, sobre nossa moradia. Se percebe claramente uma vontade das pessoas por uma maior conexão com a natureza, buscam mais pátios, terraços, sacadas, mais vista. Isso aí tudo está sendo muito valorizado e muito procurado pelo nosso consumidor, que já estava exigente e agora está exigente e com novas perspectivas. O próprio local do home office, que ficou, neste momento, tão obrigatório quanto a nossa churrasqueira aqui no Sul, é um espaço que as pessoas estão procurando sempre. (...) Está se notando alguns lançamentos onde há no próprio condomínio espaços privativos para home office. Da mesma forma o coworking estruturado na área de uso comum — avalia o presidente do Sinduscon.
Futuro dos escritórios comerciais
— Porto Alegre vive ainda uma situação atípica por uma superoferta de imóveis comerciais. Isso já antes da pandemia. Já havia um desinteresse do mercado por esses imóveis, tendo em vista a grande oferta que ocorreu , reduzindo então o interesse dessas pessoas. Agora, com a pandemia, isso está realmente se notando. O home office tende a reduzir ainda mais o interesse por esses imóveis, tanto que já está se pensando junto à prefeitura municipal de Porto Alegre algum projeto de lei que venha a trazer uma mudança de atividade para muitos imóveis comerciais desocupados em Porto Alegre — destaca Dal Molin Júnior.
Ampliação de crédito
— O crédito no mercado imobiliário é importantíssimo. Ele que faz nosso mercado ficar pujante. Todas as pessoas que compram um apartamento necessitam de crédito, de um financiamento. Então, essas reduções de juros são importantíssimas. Uma das coisas que com certeza está aumentando a demanda no nosso mercado é essa diminuição da taxa de juro. Agora, os bancos precisam conseguir repassar essa taxa fortemente também, não segurar tanto essa redução. A redução já está muito boa, estamos em um momento histórico, nunca tivemos uma taxa de juros tão baixa, o que ajuda demais, e os bancos, é lógico, fortalecendo isso, diminuindo essa taxa, de acordo com o risco de cada um, ajuda demais o nosso mercado e essa alavancagem com os clientes — disse o CEO da Regional Sul da Cyrela.
— A redução dos juros no mercado imobiliário, puxada pela Caixa Econômica Federal, é um dos fatores importantíssimos para o aumento da procura por imóveis que nós estamos experimentando neste momento de pandemia. Para nossa surpresa, os imóveis estão sendo muito procurados. Isso tem a ver também com a vontade de mudança pela valorização da moradia, que o confinamento acabou trazendo para a percepção das pessoas. Agregado a isso temos esses juros, os mais baixos da história, que está trazendo para dentro do mercado imobiliário muitas pessoas que não poderiam comprar, porque o seu salário não passava na análise de crédito pela prestação. (..) Além disso, também temos um fato importante que é a baixa atratividade dos investimentos financeiros, que traz um recurso de muitos investidores que estão olhando o imóvel como um investimento seguro e que terá uma valorização após a pandemia, porque está havendo uma redução de estoque pelas vendas e maior procura. Então, esse mercado vai valorizar os imóveis — complementa o presidente do Sinduscon.
Busca por imóveis fora das regiões metropolitanas
— A gente sentiu isso em um padrão alto, na verdade. Essa procura por casas de campo, onde o cara faz um home office e consegue atuar da sua empresa em alguns dias da semana. Muita gente pensando em trabalhar de segunda a quinta na empresa, e de sexta em diante trabalhar de forma remota, mas não sei ainda o tamanho dessa demanda — avalia Putinato.
Futuro do setor
— Nossa perspectiva de futuro é muito positiva. Enxergo que, no período pós-pandemia, a sociedade vai ter um momento de descompressão. Estamos vivendo muito tempo comprimidos como uma mola e, quando solta, a tendência é ela se expandir um pouco mais do que o normal. Então, vejo que no próximo ano viveremos alguns momentos de euforia, parecido como os anos dourados pós-guerra. Isso vai trazer, eu acho, um mercado muito promissor. Estaremos com a inflação controlada, juros de mercado imobiliário baixos, vontade de mudança das pessoas, com um astral muito positivo — estimou Dal Molin Júnior.
— A gente sentiu que muitas áreas, inclusive o poder público, começaram a atuar em alguns itens de forma digital. Então, por exemplo, processos como o habite-se, documentos que nós precisamos para uma obra proceder, entraram de forma digital. Imagino que isso continue. Os serviços de forma geral acho que vão ter uma mudança radical na vida de todo mundo. Aquela conveniência que você quer ter na sua casa, de você alugar seu imóvel ou de chegar na sua casa e ter um supermercado pronto para você, com aplicativos. Isso é uma coisa disruptiva que está acontecendo em todos os lugares e a gente precisa acoplar isso cada vez mais nos nossos empreendimentos — pontua o CEO da Regional Sul da Cyrela.


