
Um churrasquinho de rua no início da noite pode crescer a ponto de virar tradição da cidade. Quem trafega pela Avenida Goethe, na Capital, já deve ter visto um grupo que se reúne uma vez por semana no canteiro central, na altura da esquina com a Vasco da Gama.
Mais certo que osso na costela, ali ocorre, toda segunda-feira, o Piquete da Goetchê - o maior churrasco de rua do mundo, garante o organizador Lucas dos Santos Branco, 43.
- Já nos procuraram para levar a ideia a outras cidades e Santa Catarina, e até uma firma de cerveja quis nos patrocinar. Ainda estamos esperando mandarem a carga - diz Lucas, sob olhares bem humorados dos amigos que se perguntam o que é fato ou exagero na história.
A função começou há cinco anos entre quatro amigos, e aos poucos atraiu os amigos de amigos e moradores do bairro. Pilchado, bigode arqueado, Lucas é o idealizador, mas o Piquete já anda sozinho: às 20h daquele que seria o dia mais chato da semana não fosse pela invenção do sal grosso, os guascas vão chegando e se espraiando pelo gramado. Abrem cadeiras, ajeitam o isopor e se põem a tagarelar.
- Aqui só não pode falar de religião, política ou futebol, que é para não dar briga - diz um dos participantes.
A logística é curiosa: pelas 19h30min, dois churrasqueiros atravessam a Goethe carregando uma estrutura metálica triangular, de um metro e meio de altura, com uma chapa na base para segurar o carvão - "nem os egípcios foram capazes de inventar uma pirâmide que asse carne", se orgulha Lucas.
Brasa posta, cada um põe seu naco na grelha. Um vai virando a carne até que doure dos dois lados. Ela então é picada e transita sobre uma tampa de caixa organizadora improvisada como tábua. Não importa o tamanho da fome: cada um pega um só pedaço por vez para que todos comam - às vezes chegam a se reunir ali mais de 100 pessoas. As mesas são emprestadas pelos bares ao redor - que comemoram o furdunço, já que vendem bebida e gelo.
O cheirinho seduz pedestres, e a fumaceira atrai motoristas; muitos buzinam e acenam. Já houve problema com a prefeitura ou a Brigada Militar? Certa vez, estacionou ali uma viatura da qual desembarcaram dois brigadianos. Clima de tensão: haveria algum vizinho reclamado? Mas era só curiosidade. Quando entenderam do que se tratava, os soldados aceitaram de bom grado um par de pão de alho com linguiça.
Seja na calçada assando com os amigos, do vendedor ambulante na porta de um show, ou com aquele tradicional conhecido da vizinhança: onde você come o melhor churrasquinho de rua? Envie fotos e dicas de lugares na Capital. Você pode enviar textos e fotos pelo nosso WhatsApp (51) 9556 4125, pelo Twitter @zerohora ou pelo nosso formulário clicando aqui.



