
Na próxima terça-feira (27), estaremos a uma semana da eleição presidencial mais caótica e imprevisível da história recente e com potencial de mudar as relações internacionais como um todo - e para o Brasil, em particular no caso de vitória da oposição. Como cada candidato irá se comportar nesses últimos dias é em parte incógnita. Mas há vestígios, a partir de conversas com especialistas, observação dos movimentos no tabuleiro da política americana e dos bastidores divulgados pela imprensa nos EUA.
A coluna reuniu cinco pontos que devem aparecer nos últimos dias nas campanhas de Donald Trump e Joe Biden nos Estados Unidos.
1 As táticas de ataque de cada um deve ter como objetivo desconstruir a credibilidade do adversário.
Honestidade é tema-chave. Biden deve seguir questionando por que Trump não apresenta sua declaração de imposto de renda (uma incógnita desde 2016), reforçar o caráter de excepcionalidade desta eleição, dizendo que o destino da nação está em jogo, e, para energizar o voto hispânico e negro, atacar o adversário em pontos como preconceito contra migrantes e racismo.
Trump deve pesar a mão nos ataques a Biden, explorando sua idade avançada e seguindo na estratégia de levantar suspeitas sobre os negócios da família na Ucrânia - em especial, do filho Hunter, algo que, é sabido, abala o rival.
2 Trump deve seguir questionando a credibilidade do sistema eleitoral americano. Com mais de 47 milhões de eleitores tendo votado de forma antecipada - um número recorde -, o presidente deve reforçar o discurso de que há indícios de fraude. Não se surpreenda se aparecerem novas denúncias de urnas falsas em Estados democratas, como ocorreu nas últimas semanas.
3 Trump deve receber uma boa notícia na segunda-feira (26), que vai dar um gás importante na campanha. A comissão de Justiça do Senado marcou para este dia o voto de confirmação da juíza Amy Coney Barrett, indicada pelo presidente para a Suprema Corte. É provável que ela seja confirmada, dada maioria republicana no Senado. A magistrada conservadora, além de garantir um discurso perante os seus eleitores de pautas que lhes agradam - contra o aborto, a união LGBT+ e a posse de armas - darão a Trump uma carta na manda caso a disputa eleitoral vá para a Justiça, em 3 de novembro, em algum Estado.
4 O tema das supostas tentativas de interferência externa na eleição deve ganhar força ao longo da semana. Em 2016, a suspeita recaía sobre a Rússia. Agora, seria o Irã.
O Departamento do Tesouro anunciou que impôs sanções a cinco entidades iranianas, entre elas a Guarda Revolucionária, por "tentativas descaradas de interferência" por meio da divulgação de desinformação pela internet. O objetivo seria minar a confiança dos americanos na integridade do voto.
5 Dinheiro é fundamental na corrida presidencial. Todos os anúncios são pagos, não há horário eleitoral obrigatório no rádio e na TV nos Estados Unidos.
A campanha de Biden arrecadou doações em quantia equivalente a quase o triplo do acumulado pela campanha de Trump na primeira quinzena de outubro. De acordo com dados divulgados pela Comissão Eleitoral Federal, o democrata levantou US$ 130 milhões (R$ 720 milhões) entre 1º e 14 de outubro. Trump conseguiu US$ 44 milhões (R$ 246 milhões). Trump não deve fazer mudanças drásticas na estratégia. Vai manter o ataque - com foco na família de Biden. Também vai continuar com os comícios presenciais - uma vez que está sem verba para publicidade em larga escala. O presidente também enfrenta críticas internas no Partido Republicano. Segundo a rede CNN, senadores republicanos começam a aceitar a possibilidade de uma derrota iminente e ase distanciar de Trump.

