
O Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática realizou 45 atividades desde junho, quando o grupo foi criado pelo governo estadual. Pareceres em projetos públicos, participação em eventos com a sociedade e reuniões internas estão entre as atividades.
A equipe é formada por 43 pesquisadores e especialistas de instituições do Rio Grande do Sul, de outros Estados e do Exterior.
O foco é ter no comitê uma consultoria capaz de avaliar e emitir parecer em projetos do governo estadual dedicados ao enfrentamento e prevenção de crises climáticas. O grupo se reúne uma vez por semana, mas há outras atividades paralelas.
Simone Stülp, secretária de Inovação, Ciência e Tecnologia, exemplifica a influência dos especialistas na rotina do governo estadual no caso de estudos para a instalação de novos radares meteorológicos.
— O Comitê Científico teve um olhar consultivo, para dizer se aqueles radares propostos no projeto são os adequados para as diferentes condições do Estado. A partir dos eventos de maio, foi indicado a aquisição de um radar mais adequado para o momento. Houve uma modificação a partir da recomendação do comitê — diz.
Outra participação dos especialistas é na escolha dos pontos onde serão feitas batimetrias (análise da profundidade de cursos d’água), que avaliarão o impacto da enchente no acúmulo de sedimentos.
Essa é a primeira etapa de uma política de desassoreamento prevista no Plano Rio Grande, o programa de reconstrução, adaptação e resiliência climática do RS.
— Estamos constituindo um projeto para discutir a necessidade ou não de dragagem em corpos hídricos do Estado. Ainda não está no Comitê Científico, mas será avaliado por ele. É um assunto que precisamos ter um olhar global: tomar uma decisão em uma região pode impactar negativamente outro local — acrescenta a secretária.
Dois dos pareceres foram dados na análise de projetos para enfrentar cheias no Delta do Jacuí, em Eldorado do Sul, e no Arroio Feijó, em Alvorada e Porto Alegre. Os estudiosos também se posicionaram em termos de referência sobre investimentos para analisar topobatimetria, modelagem para previsão hidrológica e aerolevantamento.
Outra atribuição do grupo é interagir com a sociedade, com a participação em eventos públicos. Isso ocorreu no encontro Compartilhamento de Conhecimentos Brasil - Países Baixos, ocorrido em agosto, focado na discussão sobre sistemas de proteção contra cheias. Também há participações em seminários e conversas com setores impactados por eventos climáticos, como a agricultura.
Segundo Simone Stülp, o comitê tem contribuído na redução da distância entre o poder público e a academia, algo que ocorreu durante a pandemia de covid-19 e que se mostrou também necessário após a cheia.
— Tivemos projetos com mais de 150 páginas, que foram analisados por essas pessoas que não são remuneradas. Há toda uma dinâmica de entregar à sociedade um pouco da formação e da trajetória do grupo para a reconstrução do Rio Grande do Sul — finaliza a secretária.





