
O número de apreensões de drogas feitas pelas autoridades no Aeroporto Salgado Filho em 2019, até esta sexta-feira (13), já é o maior dos últimos sete anos. Em sete oportunidades, durante fiscalizações de rotina, a Polícia Federal (PF) e a Receita Federal encontraram entorpecentes em bagagens de passageiros neste ano. Com isso, as ações superaram o ano de 2017, quando foram flagradas drogas em malas em seis oportunidades.
O flagrante mais recente ocorreu na quarta-feira (11). Uma argentina de 35 anos foi presa em flagrante por tráfico internacional. Conforme a Receita, 10,85 quilos da substância MDMA e 2,44 kg de comprimidos de ecstasy estavam escondidos em um fundo falso da mala dela. A mulher partiu da Holanda — e embarcou em um voo na capital portuguesa, Lisboa — com destino a Buenos Aires e conexão na em Porto Alegre.
Somente neste ano, as operações no aeroporto impediram a remessa de 16,4 quilos de cocaína para a Europa, por meio do voo direto entre Porto Alegre e Portugal. Do velho continente para a Capital, a fiscalização conseguiu evitar que 20 kg de drogas sintéticas e 7,45 kg de cocaína chegassem ao Rio Grande do Sul.
Foram presas nove pessoas no ano até agora e, 2019 por tráfico internacional de drogas. Seis são brasileiros. Os outros três presos são de três países: Letônia, Uruguai e Argentina.

Policiais federais que trabalham no aeroporto entendem que a intensificação das atividades de inteligência e a utilização dos cães farejadores em todos os voos internacionais têm resultado no aumento do número de apreensões no aeroporto de Porto Alegre. Há agentes disponíveis para o serviço durante as 24 horas dos sete dias da semana.
Em nota, a PF também declarou que o aumento das apreensões está ligado ao trabalho da Receita Federal — que desde 2015 atua em parceria com a polícia, com cães farejadores próprios e reforço da fiscalização não somente para mercadorias que excedam o limite de compras trazidas do Exterior.
"Muitas das apreensões são resultado de esforço operacional conjunto das duas instituições, que se complementam em recursos humanos e materiais para executar um bom trabalho de interdição de drogas no aeroporto", informou a instituição em nota.
A PF também declarou que as as organizações criminosas que atuam na modalidade de tráfico internacional através de mulas buscam variar os aeroportos, até mesmo para testar a fiscalização. Para a corporação, "é possível que, com os flagrantes realizados recentemente, haja uma queda temporária no número de apreensões no aeroporto internacional de Porto Alegre".
No início de setembro, GaúchaZH mostrou que ações no aeroporto já haviam resultado na prisão de 36 mulas e apreensão de mais de 240 kg de drogas. Agora, o número de detidos é 38, sendo 21 homens e 17 mulheres. Na oportunidade, a delegada Aletea Vega Marona Kunde, chefe da Delegacia de Repressão a Drogas no RS, informou que o perfil de traficantes no aeroporto é variável.
— Depende da organização criminosa. No ano passado, a gente tinha um perfil de mulas que era de meninas bonitas, que trabalhavam com promoção de eventos. Houve um tempo em que eram homens jovens, universitários. Neste ano, aqui, o perfil é de pessoas mais velhas. Em geral, o que mais pesa para nós (identificarmos alguém suspeito) é o comportamento — diz a policial.
Com as novas ações, a quantidade de drogas apreendidas nos últimos sete anos atingiu 260 kg. A maior parte dos entorpecentes recolhidos é cocaína. Foram localizados 187 kg do produto, que tem alto valor no mercado europeu.

