O Ministério Público denunciou, nesta quinta-feira, um homem de 31 anos por tentativa de feminicídio triplamente qualificada contra a ex-mulher e por 90 tentativas de homicídio duplamente qualificado e por dolo eventual. Alexandre Viana de Souza também deverá responder por furto qualificado, lesões leves contra o filho da mulher e crueldade a animal. Ele está preso preventivamente na Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ). A denúncia é do promotor Sérgio Luiz Rodrigues.
O caso aconteceu na madrugada de 31 de janeiro deste ano. Alexandre e a mulher, Márcia Franciele Schmidt, discutiram no Bar Alternativo, em Novo Hamburgo, por ciúmes, o que resultou na expulsão dele de dentro do local por seguranças. Os três saíram da casa noturna e embarcaram no carro de Alexandre. Ele parou o veículo nas proximidades da prefeitura de São Leopoldo, pegou um canivete que guardava na porta do motorista e desferiu vários golpes contra Márcia enquanto ela tentava desembarcar do carro com a ajuda do filho.
Leia mais:
Mulher assassinada pelo marido sofria de doença incapacitante
Idoso é indiciado por matar homem a facada na frente da família
Líder de quadrilha de roubo a bancos no Estado é preso em São Leopoldo
Já fora do automóvel, o denunciado novamente investiu contra a mulher, puxou os cabelos dela e desferiu golpes de canivete, desta vez no rosto e no pescoço. Durante as agressões, o acusado dizia que iria matá-la e que ela não seria “de mais ninguém”. O adolescente interferiu e foi agredido com um soco no nariz.
Como acreditava que tinha ferido Márcia o suficiente para matá-la e diante da resistência imposta pelo filho da vítima, Alexandre fugiu do local, sem prestar nenhum socorro. Ela foi socorrida pelo filho e por um Guarda Municipal, que o encaminharam ao Hospital Centenário, onde recebeu tratamento médico. A tentativa de feminicídio foi triplamente qualificada (motivo torpe, com recurso que dificultou a defesa da vítima, e crime contra mulher).
Enquanto a mulher era atendida, Alexandre foi até o apartamento onde eles moravam e furtou R$ 5 mil em espécie, cinco relógios de pulso avaliados em R$ 11 mil, joias avaliadas em R$ 30 mil, roupas e sapatos no valor de cerca de R$ 100 mil, uma televisão, bebidas importadas, blocos de produtor rural, contratos de compra e venda de imóveis, documentos, cartões de crédito e um celular. Ao sair, colocou fogo no apartamento (foto abaixo).
Os bens foram colocados no porta-malas do veículo. Ele manobrou para fora do estacionamento do condomínio, estacionou na rua, onde ficou observando o início e a propagação do incêndio. Logo em seguida, entrou no carro e fugiu.
No entanto, o fogo se alastrou e alcançou outros cinco apartamentos, todos habitados. O incêndio causou grandes danos materiais nas unidades alcançadas e no próprio edifício, já que houve necessidade de interditar todo o bloco de apartamentos por conta do risco de colapso da estrutura. Por isso, ele também é acusado de 90 tentativas de homicídio com dolo eventual (mediante assunção de risco) duplamente qualificado (motivo torpe e mediante o emprego de fogo).
Os moradores foram acordados pela sirene do alarme de incêndio, bem como pelos barulhos provocados por explosão, pelos gritos de pânico, pela intensa movimentação no prédio, pelo aumento das chamas, pela propagação da fumaça e pela intervenção do corpo de bombeiros, o que possibilitou que todos desocupassem o condomínio.
De acordo com a denúncia, Alexandre sabia que o bloco era habitado por mais de 100 moradores, que o fogo provocado no local tinha grande potencialidade de propagação para outros apartamentos e estava consciente de que não era capaz de controlar a situação de perigo criada aos moradores. Portanto, segundo a promotoria, assumiu o risco de matar as vítimas. Além disso, foi denunciado por crueldade a animal, já que o incêndio provocou a morte de um gato de 4 anos, que era de estimação de um dos moradores.
Alexandre fugiu para o litoral depois dos crimes e teve prisão preventiva decretada. Ele foi preso em 12 de abril, em Nova Tramandaí.
*Zero Hora

