Já faz algum tempo que os jogos começaram a invadir as empresas - sobretudo as inovadoras. Mas essa invasão deve ser maior nos próximos anos. Segundo a consultoria empresarial Gartner Group, até 2015, cerca de 50% de todo o processo de inovação global será gamificado. Embora o Rio Grande Sul abrigue empresas de gamedesigners há quase 20 anos, o mercado absorve aos poucos a novidade. Países emergentes, sobretudo Índia, China e Brasil, deverão despontar no mercado de games nos próximos anos.
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SEO da MJV Tecnologia e Inovação, Maurício Viana explica que, na última década, o conceito já era usado na área de recursos humanos. De três anos para cá, houve a expansão para outros setores. Como exemplo, Viana cita um jogo desenvolvido para um call center em que cada telefonista que atende um chamado colabora com um colega e ganha pontos. Além disso, o funcionário é ranqueado para comparação sadia. A ferramenta, batizada de Cool Center, aumentou a produtividade. Também conseguiu melhorar métricas de adesão de novos clientes. Em outra empresa, essa do ramo de seguros, uma gincana para a saúde engajou os funcionários em uma competição para perder peso.
- A principal questão é que, por meio dos jogos, você atinge o que motiva intrinsicamente as pessoas. O foco do jogo deve buscar o que as move - afirma Viana.
Motivação é fundamental para processo ser efetivo
Professor do curso de Comunicação Digital da Unisinos, Hélio Paz afirma que, quando a aplicação é apenas lúdica e não há cobrança, a mudança de comportamento tende a ser mais positiva. Desta forma, as pessoas não se sentem vigiadas.
- O ambiente da empresa tem de permitir que as pessoas se sintam livres para jogar - explica.
Foi assim que uma unidade da cooperativa de crédito Sicredi, na Capital, conseguiu melhorar o desempenho da venda de contas, uma das atividades que mais geravam tensão e estresse na equipe.
- Estudamos os objetivos, a interação e aplicamos a um jogo. O foco era prospectar clientes e fomentar indicação de colaboradores. Obtivemos níveis históricos de crescimento e uma melhora na pesquisa de clima - conta o superintende regional da unidade, Rafael Chidem.
Nem sempre um processo de rotina que vira jogo significa gamificação. O jornalista André Pase, professor da Faculdade de Comunicação Social da PUCRS, alerta para situações em que a estratégia é usada de forma equivocada. Segundo ele, é necessário observar se o lúdico está inserido no processo e se as pessoas envolvidas realmente cresceram.
- É preciso ter motivação para participar, não simplesmente cumprir tarefas que serão avaliadas dentro de um outro ambiente e talvez tão problemáticas quanto antes.


