O aumento das internações por coronavírus nas UTIs no Estado e na Capital intensificaram os alertas e a cobrança dos profissionais da saúde sobre novas medidas restritivas para tentar conter a disseminação da covid-19. Em entrevista à Rádio Gaúcha nesta sexta-feira (27), o chefe do Serviço de Infectologia do Hospital Moinhos de Vento, Alexandre Zavascki, avaliou o cenário como o pior da pandemia até o momento.
— Precisamos de medidas. Não resta dúvida de que precisamos fazer alguma coisa para controlar as transmissões — disse Zavascki. — Hoje, a cada dia, são diagnosticados muito mais casos do que quando estivemos no pico, em setembro. E em termos de ocupação de leitos, em números absolutos, tem mais doentes internados hoje do que em agosto e setembro. O número é superior. Com a diferença que estamos pegando agora equipes no limite. Não é nem no limite físico e psicológico: não há mais pessoas para chamar para trabalhar. É uma situação delicada — completou.
A média diária de internações por covid-19 em unidades de terapia intensiva (UTI) de Porto Alegre é a maior em sete semanas. Nos últimos sete dias, ficou em 244,71 pacientes, alta de 4,38% em relação à igual período anterior. A taxa geral de ocupação, incluindo outros motivos além do coronavírus, está em 91,95%. São 697 pacientes para 782 leitos, sendo que há 24 bloqueados momentaneamente. Significa que há apenas 61 leitos de UTI livres no momento na Capital.
Os hospitais Moinhos de Vento e Instituto de Cardiologia estão com todas as vagas de UTI ocupadas.
No Rio Grande do Sul, seis das 21 regiões covid estão com mais de 80% de ocupação dos leitos UTI. O índice mais elevado é observado na região de Capão da Canoa, no Litoral Norte, com 90,4% de ocupação.
— Acho que os governantes estão cientes da situação. Talvez com alguma dificuldade agora para dizer que não dá mais para continuar do jeito que estamos. (...) O primeiro passo é que se assuma o problema e se exponha à população. A gente ainda pega muitas pessoas infectando que achavam que não precisavam mais se cuidar. É preciso que se comunique. E essa comunicação é das autoridades. Essa transparência e honestidade é fundamental.
Na última terça-feira (24), o governador Eduardo Leite confirmou que estão em estudo novas medidas restritivas para tentar conter a alta de casos e mortes por coronavírus no Rio Grande do Sul.




