O distanciamento social é uma das medidas que devem ser tomadas para frear a disseminação do coronavírus, tendo em vista que ele é transmitido de pessoa para pessoa por meio do contato com secreções, gotículas de saliva e objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos. Em entrevista ao Timeline, o professor e historiador Leandro Karnal destacou, no entanto, a necessidade de que se transforme essa experiência de solidão em algo proveitoso.
— O que você faz para transformar solidão em solitude? Ou seja, isolamento em reflexão e oportunidade? Porque solitude é positivo. Eu trato disso no livro O Dilema do Porco-espinho, a solitude é a capacidade de estar consigo — disse.
— Tem que aproveitar essa oportunidade para inclusive utilizar a internet como alavanca de transformação. A cada crise, nós devíamos sair um pouco fortalecidos, como osso quebrado se torna um pouco mais sólido depois de quebrado, como cada doença nos torna mais resistentes a ela, ou será apenas uma chatice em casa. E acho que a gente tem que escolher deliberadamente, racionalmente, como transformar a crise em oportunidade — afirmou.
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Parafraseando o médico Christian Hahnemann, criador da homeopatia, Karnal afirmou que é necessário aprender que a diferença entre remédio e veneno é a dose. É preciso, defendeu, ter discernimento para saber quando ficar com a família e quando fazer atividades sozinho.
— Você tem que aprender a ler sozinho, a ver um bom filme sozinho, a ver a dois, a ver em família. Pertence a nós transformar solidão em solitude. Quem não sabe ficar sozinho tem problema. Quem não sabe ser acompanhado tem problema também — disse.
O historiador também afirmou que depois de todas as grandes epidemias que ocorreram no mundo, houve consequências culturais e políticas.
Quem não sabe ficar sozinho tem problema. Quem não sabe ser acompanhado tem problema também.
— Após a peste negra, veio o renascimento. A ideia de que existe um ressurgimento da vontade de viver, de reorganização, a cobrança que a sociedade brasileira está fazendo dos governos municiais, estaduais e do governo federal para que tomem atitudes é sinal de que o mundo conectado, e agora com uma causa comum, o coronavírus, ele vai sim necessariamente alterar nossa percepção do Estado e nossa percepção do valor da vida — defendeu.




