O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) encerrou o trabalho de inspeção por vídeo com uso de robôs em 36 quilômetros da rede subterrânea de esgoto pluvial de Porto Alegre. O trabalho foi conduzido por uma empresa terceirizada e começou em setembro de 2021. O monitoramento encontrou vazamentos, lixos de diversos tipos e até ligações clandestinas, algo que não era o foco da atividade.
A vistoria foi feita por meio de sondas robóticas equipadas com câmeras, conduzidas de forma remota pela equipe da empresa Goldman Soluções em Saneamento. Os dispositivos produziram fotos e vídeos para detalhar a situação da rede, além de informar a posição e profundidade da origem de obstruções. A verificação atuou na rede pluvial da cidade, ou seja, no sistema que capta a água da chuva e a encaminha para rios, lagos ou córregos.
Conforme o diretor-geral do Dmae, Alexandre Garcia, a inspeção funcionou como um teste para mensurar a capacidade de a tecnologia assessorar na identificação de problemas na rede pluvial da Capital.
— O resultado foi positivo. Sem a videoinspeção, teríamos de ter aberto várias ruas para buscar uma solução. Deixamos de fazer ações que imaginávamos necessárias, mas que, na verdade, não eram. Por isso, não precisamos mobilizar recursos para substituir tubulações, fazer manutenções, o que nos trouxe uma economia considerável — comenta.
Garcia cita exemplos do trabalho feito nos últimos meses. Segundo ele, moradores relataram um alagamento na Rua Padre Chagas, esquina com a Rua Luciana de Abreu, no bairro Moinhos de Vento. Por isso, um robô foi colocado no sistema e conseguiu identificar que uma garrafa de cachaça e sacos plásticos interrompiam o fluxo da água. No lugar de "abrir" a rua, o Dmae fez a desobstrução da rede com um caminhão hidrojato no fluxo oposto. Os resíduos se soltaram, o ponto ficou limpo e não foram registrados outros alagamentos.
Situação similar foi observada na Avenida Erico Verissimo, no bairro Azenha, onde o equipamento conseguiu identificar tubulações que não estavam ligadas ao sistema pluvial, o que impedia que o escoamento da água captada fosse direcionado para a galeria conectada ao Arroio Dilúvio.
A intervenção foi conduzida sem que fosse necessário interromper o trânsito no trecho ou mesmo ter de dispensar tempo dos funcionários do departamento para localizar o ponto causador do problema. Os vazamentos também foram alvos do trabalho, acrescenta o diretor do Dmae:
— Com o diagnóstico do robô, conseguimos descobrir também a condição de algumas tubulações, porque visualizamos por dentro se estão desgastadas e merecem ser substituídas ou se ainda estão no tempo de vida útil.
O que foi encontrado
A inspeção ocorreu em ruas e avenidas dos bairros Azenha, Cristal, Petrópolis, Moinhos de Vento, Farrapos, Centro Histórico, Lomba do Pinheiro e Mont'Serrat. O trabalho consistia na identificação do problema na rede, efetuada pela empresa contratada, para posterior resolução por parte do Dmae. No momento, o departamento não tem o montante de lixo retirado das vias pluviais na inspeção, mas, de forma geral, os rejeitos mais comuns encontrados eram garrafas pet, vidros, sacolas plásticas e papelão.
As atividades levaram o Dmae a identificar ligações clandestinas em pontos da cidade: situações em que o esgoto doméstico dos prédios estava conectado ao sistema pluvial da cidade. Por isso, os moradores foram notificados para que fosse feita a correção da rede. Essa era uma identificação fora do projeto inicial da contratação, segundo o departamento.
O Dmae observou na Vila dos Papeleiros, na Zona Norte, a pior das condições dos 36 quilômetros avaliados: no ponto, foram encontradas raízes de árvores, vidros quebrados, brita, ferros e outros rejeitos na tubulação subterrânea. O uso da tecnologia mostrou cenários distintos ao imaginado pelos profissionais do Dmae.
— No 4º Distrito, a situação estava muito pior do que imaginávamos. Na Zona Norte, achávamos que estaria melhor, mas havia muita intervenção de árvores. Em alguns lugares da (Rua) Silva Jardim, pensávamos que a tubulação estivesse ruim, mas era apenas sujeira — exemplifica o diretor-geral do departamento.
O valor pago à empresa pelo serviço foi de R$ 673 mil, calculado por metro inspecionado. Segundo o Dmae, uma nova licitação será feita no início de 2023, com recursos que possibilitarão dobrar o trabalho de inspeção com o uso de robôs. A rede de esgoto pluvial de Porto Alegre tem 2,1 mil quilômetros.



