
O maior número de pacientes com infecção de coronavírus ativa em Caxias do Sul desde o início da pandemia, registrado no domingo (22), pode ser apenas o começo de um cenário que vai se desenhar ainda mais preocupante ao longo dos próximos meses. Especialistas alertam para a possibilidade de um incremento significativo entre o fim desse ano e o início de 2021 devido às festas de Réveillon e Natal.
O boletim epidemiológico da Secretaria Municipal da Saúde aponta que a cidade tem 1.710 pacientes com a infecção ativa, o que significa pessoas que estão com a doença e podem transmiti-la. O cientista de dados Isaac Schrarstzhaupt cruzou na semana passada informações divulgadas pela Secretaria Estadual da Saúde sobre testes PCR, que identifica se a pessoa está contaminada no momento da coleta do exame, e concluiu que tem aumentado o contágio entre os mais jovens em relação aos meses de julho e agosto:
— Jovens acabam ficando menos doentes e mais móveis, porque não caem de cama. Se eu caio de cama, doente, não ando para cá e para lá, provavelmente contamino menos pessoas. Como sou jovem, eu, às vezes, fico assintomático ou mal e mal com nariz entupido, eu ando mais para lá e para cá. Então, os jovens acabam se contaminando mais e primeiro, e os vulneráveis, que estão protegidos, ficam para a segunda fase. Eu projetei que se continuar o contágio assim, vai ficar lá pelo Natal o estouro, que é justamente quando as famílias se encontram e é quando esses jovens cheios de vírus e assintomáticos ou com poucos sintomas vão se encontrar com tio, tia, mãe e vó.
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O secretário municipal da Saúde, Jorge Olavo Hanh Castro, confirma que as taxas de contaminação têm subido entre os jovens, mas diz que por enquanto o município seguirá as regras estaduais em relação à flexibilização de atividades. A lei permite que as prefeituras adotem medidas mais rígidas, se quiserem, em relação às imposições estaduais. No entanto, isso não tem ocorrido em Caxias. A administração municipal concorda com o recurso enviado ao governo pedindo que a região permaneça na bandeira laranja no modelo de distanciamento controlado. Na sexta-feira (20), a Serra ficou na bandeira vermelha, que indica alto risco para a covid-19, mas o resultado definitivo para a semana sai nesta segunda-feira (23).
Para tentar reduzir o contágio, a Secretaria da Saúde aposta em uma campanha, que deve ser lançada nos próximos dias, com o objetivo de mobilizar a população para adotar as medidas preventivas. Entre elas, diminuir a mobilidade social, manter o distanciamento, fazer a higienização das mãos e usar máscaras.
— Essa é uma preocupação da Secretaria da Saúde: que nas festas de final de ano, a confraternização das famílias com idosos, façam subir as taxas de contaminação entre o grupo mais vulnerável — comenta.
“A pandemia não acaba porque a gente se cansou dela”, ressalta médico
O pneumologista Luciano Gross, que trabalha em dois hospitais de Caxias, faz outro alerta: os casos de internação têm aumentado no último mês, inclusive de pacientes graves. O painel da Secretaria Estadual da Saúde mostra que 85% das vagas de UTI estão ocupadas nesta segunda-feira. É a maior taxa dos últimos 15 dias, período que é possível acompanhar a evolução a partir dos dados disponíveis no site.
Para o médico, é possível relacionar as taxas ao cansaço da população com o isolamento estendido. O mês de novembro, com dois feriados e campanha política, fez o deslocamento e até as aglomerações aumentarem.
— A pandemia não acaba porque a gente se cansou dela — salienta o pneumologista.



