
CORREÇÃO: As escolas de Educação Infantil de Farroupilha não iniciaram o retorno presencial. A informação incorreta permaneceu publicada até 14h17min desta quarta-feira (21). O texto original foi corrigido.
Os cerca de oito mil estudantes do Ensino Fundamental da rede pública municipal de Farroupilha vão permanecer com aulas remotas até o fim do ano letivo em 2020. A Secretaria Municipal da Educação decidiu retomar o ensino presencial apenas no próximo ano, com previsão de início em fevereiro.
A decisão foi oficializada por meio de decreto na última sexta-feira (16) e ocorreu após discussões com o comitê municipal que trata das ações de combate ao coronavírus. Segundo o secretário municipal de Educação de Farroupilha, Vinicius Grazziotin, entre os fatores que pesaram para a medida estão limitações logísticas que não trariam ganho ao aprendizado com o retorno presencial. O tamanho das salas de aula do município, por exemplo, impediria o retorno simultâneo da metade de uma turma de 25 alunos. Dessa forma, a maior parte precisaria continuar estudando de casa, já que também não há salas vagas nas escolas.
— Teríamos, em uma semana, oito alunos; na outra, outros oito e mais nove em outra semana. Isso dividiria uma turma de 25 alunos em três períodos. Daria praticamente uma semana para cada um e já seria dezembro. Qual seria o ganho pedagógico de um retorno agora? O argumento de que vai salvar o ano letivo não se confirma — acreditar o secretário.
A secretaria também estima que a maior parte das famílias se adaptou à rotina de aulas à distância e não está disposta a encaminhar os filhos à escola tão perto do fim do ano letivo. O resultado seria a inviabilidade do transporte escolar por falta de demanda, especialmente no interior.
— Em um raio de 30 quilômetros, apenas quatro estudantes voltariam. Nós sentamos com a empresa que faz o transporte e eles disseram que se atenderem apenas quatro estudantes irão quebrar — justifica Grazziotin.
A falta de servidores é outro empecilho apontado para dar conta das aulas presenciais ainda nesse ano. Como muitos professores integram o grupo de risco, precisam seguir com as aulas remotas. No entanto, alguém precisaria ficar responsável pelas crianças que estivessem na escola. A estimativa é de que o município precisaria de 200 professores adicionais, mas a legislação impede contratações emergenciais em ano eleitoral. Atualmente, o município conta com cerca de mil servidores na educação, dos quais 750 são professores.
Nenhuma das 30 instituições que integram a rede municipal de Farroupilha iniciou as atividades presenciais. Na Educação Infantil, apenas as vagas compradas da rede privada retomaram as aulas. A rede particular tem seguido o calendário de retorno definido pelo Estado, mas o município ainda estuda se vai autorizar a volta às aulas na rede estadual.


