
Após a confirmação na quarta-feira (26) de que um morador de 61 anos da cidade de São Paulo contraiu o coronavírus no norte da Itália, outros países vêm confirmando os primeiros casos. Nesta quinta-feira (27), a Dinamarca e a Estônia informaram os primeiros casos da doença. Na quarta, cinco novos países tiveram os primeiros registros - Grécia, Romênia, Noruega, Geórgia e Paquistão. O caso do Brasil é o primeiro da América Latina.
Em entrevista ao programa Gaúcha Hoje da rádio Gaúcha Serra na manhã desta quinta, a médica infectologista Lessandra Michelim Rodriguez Nunes Vieira, que integra a diretoria da Sociedade Brasileira de Infectologia e é professora da Universidade de Caxias do Sul (UCS), diz que não há razão para pânico.
— O coronavírus vai deixar muita gente doente, mas não quer dizer que sejam doenças graves. A população tem que ter calma. Sabemos que o vírus tem uma baixa mortalidade: 82 mil casos foram notificados no mundo, com 2 mil mortes — pontua.
Os sintomas da doença causada pelo novo coronavírus são semelhantes a outros problemas respiratórios: febre, coriza, tosse e dor ao respirar, podendo haver também dores musculares. Lessandra destaca os cuidados para evitar a contaminação.
— É tentar evitar que o vírus entre pelos olhos, nariz ou boca. Para vírus respiratórios em geral, procuramos não tocar no rosto; é preciso lavar bem as mãos sempre que possível, sempre quando a pessoa for ao banheiro, antes de se alimentar... Então, sempre que for possível, lavar mesmo, com água e sabão. E, quando não for possível, pelo menos passar um álcool gel — recomenda.
Não há ainda um remédio para tratamento da doença causada pelo coronavírus e a pesquisa para desenvolver uma vacina ainda está em andamento. Com isso, o paciente com caso confirmado é isolado para não transmitir a doença e tem os sintomas tratados. A fase aguda da doença, com a manifestação dos sintomas, dura, em média, uma semana.
A professora destaca que não há transmissão dentro do Brasil, já que o único caso confirmado do país foi de um paciente contaminado no Exterior. Sobre o uso de máscara, Lessandra afirma que a medida não funciona.
— É lavagem de mãos e não tocar no rosto; é isso o que funciona. A máscara não funciona. Ela tem uma média de duração de quatro horas: começamos a falar, respirar e ela umedece. Isso faz com que ela perca o filtro. No hospital, usamos no atendimento e a descartamos. Às vezes, a pessoa compra uma máscara e usa por muito tempo. É só psicológico o efeito, porque ela não estará funcionando. Para que serve máscara? Serve para quando estou gripado ou resfriado não transmitir para outras pessoas ou para o ambiente. Quem está doente, sim, usa a máscara. Quem não tem sintoma nenhum, não adianta usar — explica.
Confira a entrevista na íntegra:




