
As duas maiores empresas da região, Marcopolo e Randon, anunciaram ontem, oficialmente, a interrupção parcial das atividades a partir da próxima segunda-feira (23). A suspensão das operações de ambos os grupos atingirá em torno de 18,5 mil trabalhadores.
Outras empresa de grande porte da região que confirmaram a concessão de férias para os seus funcionários foram Soprano, de Farroupilha, e Tramontina, que possui unidades em Carlos Barbosa, Farroupilha e Garibaldi.
O outrora cenário irreal de paralisação se tornou a alternativa encontrada diante da preocupação com o avanço do coronavírus no país. Para o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (Simecs), Paulo Spanholi, as circunstâncias extraordinárias forçam a tomada de decisões drásticas, mas coerentes para esse contexto.
— Estamos orientando as empresas a tomarem decisão de suspender. Mas não podemos exigir. Porém, a grande maioria está seguindo esse caminho. Teremos na próxima semana uma quantidade grande de empresas aderindo a isso. É um momento de gravidade, precisamos primeiro preservar a saúde da coletividade. Nem cogitamos a situação econômica. Todas as medidas das empresas têm de ser tomada no sentido de preservar a saúde dos trabalhadores — destaca Spanholi.
Caxias do Sul conta com aproximadamente 3,3 mil empresas do setor da indústria atualmente, que empregam em torno de 68 mil pessoas.
— É uma experiência nova para todo mundo. As pessoas estão apavoradas dentro das empresas. Mesmo quem ainda está dispensando parcialmente os funcionários, tende, nos próximos dias, a que todos sejam liberados. Vemos a situação da Itália e aquilo nos assusta, principalmente considerando que é um país com três vezes menos habitantes — complementa o presidente do Simecs.
O Pioneiro contatou a assessoria da Grendene, de Farroupilha, que informou que deve comunicar hoje o planejamento do grupo para enfrentar o período. As empresas Agrale, de Caxias do Sul e, Bertolini, de Bento Gonçalves, informaram que não pretendem, por enquanto, suspender a produção, embora tenham anunciado medidas de reorganização interna para prevenção do coronavírus.
"Terá impacto, mas a prioridade é a saúde dos nossos funcionários"
Um comunicado divulgado ontem, assinado pelos executivos, James Bellini e José Antônio Valiatti, uma das maiores empresas de Caxias do Sul, a Marcopolo, foi a primeira a oficializar a decisão de interromper as atividades.
"A Marcopolo deseja que você se cuide, cuide do próximo e guarde energia. Permaneçam em casa. Apenas o período é nomeado de 'férias coletivas'. Este momento exige conscientização de todos para que possamos evitar a aceleração do contágio. Esperamos em breve voltar à normalidade", diz o trecho da nota.
A empresa possui em torno de 14 mil funcionários. As férias coletivas, inicialmente previstas de 20 dias, têm validade para os 10 mil trabalhadores que atuam nas unidades do Brasil, sendo 8 mil deles em Caxias do Sul.
— Desde os primeiros sinais da possibilidade deste surto temos discutido o assunto quase todo o tempo. Estamos acompanhando e vendo a situação se agravar. Por isso, nosso entendimento é que a melhor colaboração que a Marcopolo pode dar para tentar conter a propagação é efetivamente parar o mais rápido possível, independente das nossas questões operacionais — explica o diretor do Negócio Ônibus da Marcopolo, Rodrigo Pikussa.
Pikussa não descarta que o período de suspensão das atividades possa ser ampliado conforme os desdobramentos da propagação do vírus. A situação, segundo ele, surge no momento em que a empresa aumentava a sua produção. Ele reconhece que todas as decisões que afetam a produção terão impactos econômicos, mas salienta que a empresa está preparada.
— Óbvio que haverá impactos, mas já enfrentamos a crise de 2008 e as recentes adversidades do cenário brasileiro. Por isso, com bastante serenidade, a empresa tem capacidade financeira para passar pelo período, seja ele qual for. O nosso objetivo, em primeiro lugar, é preservar a saúde das pessoas — ressalta.
DECISÕES
Marcopolo
Decisão: Férias coletivas a partir de segunda-feira (23) para cerca de 10 mil funcionários das unidades brasileiras. Oito mil trabalham em Caxias.
Período: 20 dias (inicialmente)
Randon
Férias coletivas a partir de segunda-feira (23) para cerca de 8,5 mil dos 11,4 mil da empresa. São abrangidos pela decisão apenas os trabalhadores de Caxias do Sul.
Período: 20 dias (inicialmente)
Soprano
Férias coletivas a partir de segunda-feira (23) para quase a totalidade dos mil funcionários da empresa. Apenas setores estratégicos específicos continuarão a exercer suas atividades via home-office.
Período: 20 dias (inicialmente)
Agrale
Decisão: Informou diretrizes internas para controle da contaminação. Até ontem não havia deliberado pela liberação dos 965 funcionários (840 trabalham em Caxias).
Bertolini
Decisão: Informou diretrizes internas para controle da contaminação e a liberação de funções específicas para trabalho home-office. Possui aproximadamente 900 funcionários.
Tramontina
- Decisão: Paralisarão as atividades a partir de segunda-feira (23). Serão 6.424 funcionários impactados no RS, nas cidades de Canoas, Encruzilhada, Carlos Barbosa, Farroupilha e Garibaldi. Só em Carlos Barbosa, são quatro fábricas Tramontina. As unidades de Belém e Recife também terão férias. O grupo soma, ao todo, cerca de de 8,5 mil funcionários.
Período: indeterminado
Grendene
Informou que deve comunicar a decisão oficial hoje.




