
Quando a primeira versão dos absorventes descartáveis _ os famosos Modess _ chegaram ao país, a primeira reação foi de desconfiança. Aos poucos, o preconceito com o produto, que costumava ser adquirido às escondidas, foi sendo substituído pela naturalidade e pela aceitação razoável do ciclo menstrual feminino. Hoje, quase 90 anos depois, outra alternativa tem se tornado pauta nas rodas de discussão feminina: o coletor menstrual. Apesar de ainda ser tabu para muitas mulheres, o copinho anatômico feito de silicone hipoalergênico que impede a proliferação de bactérias tem ganhado cada vez mais adeptas, como é o caso da estudante Mellina Lizot Rech:
— Já faz dois anos que eu uso o coletor menstrual e eu deveria ter começado mais cedo. Antes de comprar, eu pesquisei na internet e acabei adquirindo o coletor com uma amiga, que tinha comprado três em uma promoção. Foi uma compra que eu fiz pra testar e acabou que adorei. Depois que comecei a usar o coletor minha relação com o meu corpo e meu ciclo melhoraram, hoje eu me sinto confortável com minha menstruação, tudo porque eu deixei de encarar esse período do mês como algo sujo e passei a ver como extremamente algo natural.
Mas, o que é o copinho?
Criado praticamente no mesmo período que os absorventes tradicionais, o coletor menstrual passou por diversas transformações até chegar no que é hoje. Com formato de um funil de silicone maleável, o copinho_ que tem entre 4 e 4,6 centímetros de diâmetro e 7,2 e 8 centímetros de altura _ normalmente está disponível em dois tamanhos diferentes, um recomendado para mulheres com mais de 30 anos ou que já foram gestantes; e outro indicado para mulheres com menos de 30 anos ou que ainda não foram gestantes. Diferente dos absorventes internos, que ficam mais ao fundo do canal, o coletor precisa ser inserido na entrada da vagina e para isso existem diferentes dobras, sendo as mais comuns a Punchdown, Meio Diamante, Diamante e em U. Ao ser colocado, o copinho abre-se facilmente e ao ficar totalmente desdobrado, molda-se ao canal vaginal e cria uma espécie de vácuo que impede vazamentos. Ainda assim, a ginecologista Adriana Tomazzoni Michelon alerta para algumas situações em que o copinho é contraindicado:
— O coletor não é aconselhável para mulheres que nunca tiveram relações sexuais e não dever ser utilizado nos 40 dias após o parto, seja ele normal ou cesárea. Por vezes, a anatomia individual também pode dificultar o uso, por isso seria interessante conversar com seu ginecologista para que sejam esclarecidas possíveis dúvidas em relação ao uso e manipulação adequada do método.
As primeiras colocações podem ser complicadas, já que a ansiedade e o nervosismo atrapalham o encaixe no início. A adaptação requer calma e pode demorar alguns ciclos, mas depois de encontrar a melhor posição para inserir o coletor, é como andar de bicicleta: não se esquece.
— Tive um pouco de receio no primeiro uso, por conta das diversas dobras e depois de testar umas duas, eu descobri a dobra certa para mim. Lembro que nos primeiros dias tive um pouco de desconforto com a haste (cabo utilizado para facilitar a retirada do coletor), aí eu descobri que podia cortar para que se ajustasse melhor ao meu corpo. Fora isso minha adaptação foi supertranquila — conta a advogada Ana Caregnato, 24 anos, que há um ano e meio abandonou os absorventes descartáveis.
A ginecologista reforça, ainda, que a haste deve ser aparada para garantir o conforto da usuária e que a higienização do copinho deve ser feita com sabonete neutro, em intervalos de até 6 horas, dependendo da intensidade do fluxo. Adriana coloca também que tanto os absorventes descartáveis quanto o coletor são métodos seguros com baixo risco de infecção e salienta:
_Não existe um tipo de absorvente que seja universalmente melhor para todas as mulheres. A escolha deve ser individual, dependendo do perfil do ciclo menstrual e da própria aceitação da mulher na manipulação de sua genitália. A melhor alternativa sempre será a que a mulher estiver mais confortável.
Apelo sustentável (e econômico)
É fácil perceber o impacto ambiental negativo causado pelo uso de absorventes externos se considerarmos que ao longo de sua vida uma mulher usa, em média, mais de 10 mil deles e que cada um demora de 100 a 500 anos para se decompor. Enquanto isso, o coletor é responsável por uma diminuição na produção de resíduos, tendo vida útil de até 10 anos, se conservado corretamente.
Com tamanha durabilidade e valor entre R$ 69,90 e R$ 99 _um pouco salgado a primeira vista, é verdade_ o coletor apresenta um custo-benefício excelente. Isso fica claro ao comparar os R$ 1 mil que seriam gastos em absorventes descartáveis em um período de dez anos por uma mulher com fluxo menstrual normal. Mesmo com aumento da procura por essa alternativa, ainda é complicado encontrar coletores menstruais em lojas físicas, portanto, para adquirir o copinho a solução é pesquisar online onde existem diversas lojas de referência, como Fleurity, Inciclo, Korui ou Violeta Cup.
Mais
Com mais de 2 milhões de visualizações o canal Papo de Copinho, da blogueira Pâmela Freitas, é referência quando o assunto são coletores menstruais. Nos vídeos, a youtuber comenta sobre as diferentes marcas e faz comparações entre eles. Vale a pena conferir no link https://bit.ly/2OcEB5q
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