
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou uma de suas queixas mais antigas nas Nações Unidas: que é injusto nunca ter recebido o Prêmio Nobel da Paz. Nas vésperas da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Trump atendia a uma entrevista de imprensa ao lado do primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, quando ouviu de um repórter que "definitivamente deveria ganhar um Prêmio Nobel" se mediasse uma solução para os conflitos na Caxemira.
A região é, há décadas, palco de uma insurreição separatista disputada com o Paquistão. No início de agosto deste ano, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, revogou sua autonomia, o que acentuou as tensões vividas no território.
— Acho que eu receberia um Prêmio Nobel por muitas coisas se ele fosse distribuído de maneira justa, o que não acontece — reclamou o presidente.
Trump comentou em seguida sua surpresa por seu antecessor na Casa Branca, Barack Obama, ter recebido esse prêmio em 2009 por seus "extraordinários esforços para fortalecer a diplomacia internacional e a cooperação entre as pessoas", apenas um ano depois de assumir a presidência dos Estados Unidos.
— Eles deram um ao Obama imediatamente após sua ascensão à presidência, e ele não tinha ideia do porquê disso — afirmou o americano. — E quer saber? Essa foi a única coisa em que concordei com ele — acrescentou.
Em seguida, Trump se voltou para Imran Khan e teceu elogio aos repórteres paquistaneses.
— Eu aprecio o espírito da sua imprensa — disse a Khan que, neste momento, esboçou um sorriso.
— Eu não vejo isso (aqui, nos EUA), conosco eles sempre tentam colocar o país para baixo, e a sua imprensa está mais propensa a ver coisas positivas sobre o país — completou Trump antes de se dirigir aos repórteres e dizer que o primeiro-ministro "é um bom homem".
Mais cedo nesta segunda, Trump foi perguntado pelo jornal Folha de S. Paulo se jantaria com o presidente brasileiro Jair Bolsonaro em Nova York, ao que respondeu com o mesmo elogio: "ele é um bom homem". O presidente americano não confirmou o encontro, anunciado por Bolsonaro na última sexta (20).
O presidente brasileiro chega na tarde desta segunda a Nova York com uma agenda limitada que pode ser reduzida a pouco mais de 30 horas na cidade. Em recuperação de uma cirurgia que corrigiu uma hérnia decorrente da facada que levou na campanha, ele já havia cancelado encontros bilaterais durante sua passagem pela ONU, mas disse que jantaria com Trump mesmo assim.
Segundo o Itamaraty, o único compromisso confirmado do líder brasileiro até agora é o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, na manhã de terça (24), e a nova previsão é que ele retorne no mesmo dia ao Brasil.





