
O policial americano Darren Wilson não será acusado judicialmente pela morte de um jovem negro desarmado baleado em agosto passado, na cidade de Ferguson, Missouri, anunciou nesta segunda-feira o promotor Robert McCulloch.
McCulloch foi o encarregado de anunciar a decisão de um grande júri, que deliberou durante três meses sobre a morte de Michael Brown, que recebeu seis tiros do policial Wilson.
A decisão, aguardada por centenas de pessoas nas ruas de Ferguson, provoca o temor de novas manifestações e distúrbios na cidade, sacudida por protestos em agosto passado.
Logo após o anúncio, por volta das 2h (meia-noite em Brasília), manifestantes passaram a atirar objetos contra os policiais, aos gritos de "sem justiça não há paz". Os agentes reagiram lançando bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.
- Estamos profundamente decepcionados de que o assassino do nosso filho não tenha que sofrer as consequências de seus atos - declarou a família de Brown, pedindo "respeitosamente que qualquer manifestação seja pacífica".
O presidente Barack Obama fez um apelo à calma em Ferguson
- Somos uma nação baseada no respeito à lei - disse.
Obama destacou que todos os protestos devem ocorrer de "maneira pacífica", lembrando que os familiares de Brown rejeitaram qualquer ato de violência.
Em entrevista à Rádio Gaúcha, Junior Maicá, criador do site O Bairrista, que está em Nova York, relatou o clima no país.
- As pessoas estavam nas ruas esperando pela condenação do policial. Só que acabaram inocentando ele, e a população começou as manifestações em Fergueson- disse.
Ele relatou, ainda, que em outras cidades, os protestos foram pacíficos. Em Nova York, uma caminhada que acabou na Time Square reuniu centenas de pessoas com cartazes clamando por justiça. Um grupo chegou a escrever o nome de Michael no chão, usando tinta vermelha, simulando sangue.
Relembre o caso
Michael Brown, de 18 anos, morreu em plena luz do dia em 9 de agosto deste ano. Após a morte, surgiram diversas versões para a ação do policial, que atirou seis vezes contra o jovem.
O que motiva as manifestações após a morte de jovem negro nos EUA
De acordo com uma testemunha, Michael Brown ia visitar sua avó e estava desarmado. Caminhava pela rua quando um policial o interceptou e atirou, apesar de o jovem estar rendido, com as mãos para cima. A versão do chefe de Polícia de St. Louis, Jon Belmar, é diferente: Brown teria sido atingido depois de agredir o policial e tentar roubar sua arma.
Estados Unidos vivem pesadelo da violência racial
Um dia depois da morte do jovem, uma onda de agressões, roubos e saques resultou em 32 pessoas presas e dois policiais feridos. O início do segundo semestre letivo nas escolas locais, programado para segunda-feira, foi postergado por razões de segurança. Na terça, o presidente Obama lamentou a morte do jovem e pediu "calma" e "diálogo".
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O governo do Missouri chegou a pedir ajuda à Guarda Nacional para ajudar a polícia a restabelecer a ordem na cidade de Ferguson.
*Zero Hora com agências

