As longas jornadas de trabalho combinadas a um excesso de tarefas a serem cumpridas em pouco tempo estão entre as principais causas de estresse em Porto Alegre. A conclusão é de uma pesquisa realizada pela International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR), organização voltada à pesquisa e à prevenção do problema. Neste sábado, a entidade realiza uma atividade de prevenção, no Parque Farroupilha (Redenção). O evento se estende das 11h às 15h, junto ao Monumento do Expedicionário.
Questionário respondido por 1.631 porto-alegrenses, no período entre janeiro e setembro, evidencia a existência de graves problemas - causas potenciais de estresse - no cotidiano dos moradores da Capital. O perfil mais comum dos estressados indica idade entre 36 e 55 anos, com dificuldades relacionadas ao ambiente profissional (71% dos entrevistados apontaram falta de tempo ou excesso de tarefas como incômodos recorrentes).
De acordo com o estudo, uma das principais consequências do estresse é a perda de qualidade de vida, por meio de sensações como cansaço e irritação. Para tentar minimizar o problema, as medidas mais usuais incluem o consumo de medicamentos (admitido por 57% dos entrevistados) e bebidas alcoólicas (46%) ou a procura de companhia para conversar e, assim, tentar melhorar o estado de espírito.
- O estresse é conhecido como o tempero da vida. Tem de achar o nível certo - comenta a presidente da Isma-BR, Ana Maria Rossi, doutora em Psicologia Clínica com especialização em gerenciamento de estresse.
Segundo os especialistas, estressar-se nem sempre é ruim, mas é preciso saber administrar. O estresse pode até servir como motivação, inclusive para que o indivíduo fuja da apatia, do marasmo - buscando uma promoção no trabalho ou planejando uma troca de endereço, por exemplo. Mas há também o lado negativo do estresse, resultado de situações como doenças, perda de bens ou trabalho insatisfatório.
Além da falta de tempo, outros fatores geradores de estresse mencionados - os entrevistados podiam apontar mais de um item - foram relacionamentos interpessoais, problemas financeiros e falta de reconhecimento, todos apontados por mais de 44% dos participantes.
- Os mais estressados são os perfeccionistas, centralizadores, que não admitem erros e não se permitem relaxar - avalia o psiquiatra e psicoterapeuta Luiz Sérgio Torres Sobrinho.
Descontrole gera insônia e até dores musculares
Quando fora de controle, o estresse abre a porta para complicações como hipertensão, insônia, arritmia, dores musculares e outros efeitos. O estressado aumenta o seu nível de ansiedade, o que pode torná-lo agressivo no emprego ou na convivência diária, sendo forçado a buscar alívio momentâneo em medicamentos, álcool etc.
- Às vezes, o nível de sofrimento é tão grande que a pessoa não o tolera sem isso - sustenta Ana Rossi.
Segundo Luiz Sérgio Torres Sobrinho, o controle do estresse passa pelo aprendizado sobre a hora de dizer não, pela busca de tempo para si mesmo, pela delegação de tarefas e por uma maior maleabilidade, evitando perfeccionismo e autocobrança excessiva - muitas vezes, quase um autobullying. A isso, somam-se cuidados básicos com alimentação, sono e atividade física.
- A falta de organização gera desgaste no que não é prioritário. São pequenas coisas que mudam a qualidade de vida - esclarece.
Dia Nacional de Conscientização do Estresse
* Neste sábado, das 11h às 15h
* Parque Farroupilha (Redenção), junto ao Monumento do Expedicionário, em Porto Alegre
Como prevenir o estresse
* Saber dizer não
* Ter tempo para si
* Saber delegar tarefas
* Evitar o perfeccionismo exagerado
* Priorizar o que realmente é importante
* Ficar alerta a sinais físicos, como tensão muscular, dor de cabeça e sensação de
fadiga
* Dormir bem e se alimentar de forma balanceada
* Praticar exercícios físicos



