
Ainda reverberando efeitos do programa que concedeu descontos para a compra de carros novos até R$ 120 mil, o mercado automotivo se mantém aquecido no Rio Grande do Sul. Os reflexos do benefício federal para carros zero-quilômetro são observados no setor como um todo, se estendendo também ao segmento de seminovos e usados. Ambos os mercados têm dados positivos no acumulado de vendas até agosto.
Entre os veículos novos, agosto performou como um dos melhores meses do ano para o setor no Rio Grande do Sul. Os emplacamentos de carros zero no Estado cresceram 11,8% em agosto na comparação anual. No acumulado do ano, o crescimento é de 13,4%, com 104.679 unidades novas vendidas no RS de janeiro a agosto. E de 8,6% de julho para agosto.
Ainda assim, o Estado teve crescimento superior ao desempenho nacional. Além disso, no acumulado do ano, o segmento mantém desempenho positivo, com alta de 20,2% ante ao mesmo período de 2022.
— Considerando todos os mercados, e falando de RS, temos crescimento pelo terceiro mês seguido. Duas circunstâncias fizeram com que agosto demonstrasse performance melhor. Uma ainda é efeito da medida dos descontos federais. Outra é o impulsionamento da Expointer, que mobilizou montadoras e concessionários por descontos antecipados. Mostra a importância da feira para além das máquinas agrícolas — avalia Siqueira.
No país, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), os emplacamentos recuaram em agosto. Foram 207,7 mil unidades licenciadas no mês, 7,9% a menos que em julho, que teve o recorde do ano. As vendas acumuladas do ano estão em 1,432 milhão de unidades, volume 9,4% superior ao do ano passado.
Para o fim do ano, o setor espera crescimento de 5% sobre 2022, diz Siqueira.
Seminovos e usados se beneficiam
Tendência de consumo que viveu auge na pandemia, o mercado de veículos seminovos e usados segue em alta. Nos primeiros oito meses de 2023, o setor registrou alta de 12,5% no Rio Grande do Sul, na comparação com o mesmo período do ano passado. No país, o crescimento foi de 10,7%. Os dados são da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), que representa o setor de lojistas multimarcas de veículos.
Foram 690.937 unidades de seminovos e usados comercializados no Estado desde o começo do ano. Só em agosto, foram 99.078 unidades, alta de 5,5% sobre o mesmo mês em 2022 e de 10,5% sobre julho deste ano.
Entre os autos, a alta no acumulado do ano é de 14,3%, com 481.218 vendidos, e de 7,2% na comparação com agosto passado. Já entre os comerciais leves, o aumento de janeiro a agosto foi de 7,9%, com 73.222 vendas. Se comparado com agosto de 2022, a variação foi de 0,3% (para 10.889 unidades).
No Brasil, o acumulado de vendas de janeiro a agosto é de 9.444.206 seminovos e usados.
O segmento “de segunda mão” segue em alta mesmo com os incentivos concedidos pelo governo federal para alavancar as vendas de carros zero-quilômetro - já encerrado com o esgotamento dos recursos.
Presidente da Associação dos Revendedores de Veículos Automotores do RS (Agenciauto/Fenauto-RS), Rodrigo Dotto avalia os números pelo comportamento do setor automotivo como um todo. Para Dotto, os seminovos e usados, além de responderem às oscilações de preços dos novos, têm a facilidade de se ajustarem mais rapidamente ao mercado do que as concessionárias e montadoras.
— É um setor que se ajusta rápido. As vendas de novos paralisaram na espera do desconto federal, e nós (revendas) mexemos nos preços dos modelos que estavam na lista. Ou seja, o preço do seminovo se ajustou de novo, adequando-se ao bolso do consumidor e novamente ficando atrativo. Tem carro popular zero por R$ 120 mil. Com esse tíquete médio, é possível comprar um seminovo ótimo, equivalente a um novo de R$ 220 mil — exemplifica Dotto.
O segmento viveu aquecimento durante a pandemia de covid-19 em meio à elevação de preços dos carros zero-quilômetro e a falta deles nas concessionárias devido à crise dos semicondutores. A maior procurou valorizar o preço dos veículos de segunda mão. Hoje, mesmo normalizadas as ofertas de novos, o consumidor segue aderindo ao seminovo pela oferta de opções.
— Virou uma tendência de consumo. Foi uma situação que se impôs e se manteve. Pessoas que jamais compravam usado se obrigaram na pandemia e agora entenderam como uma opção. As revendas se atualizaram e se profissionalizaram até em termos de atendimento ao cliente. É bom pra nós, mas também para o consumidor — diz Dotto.
A projeção é de novas altas até o fim do ano. Primeiro, por conta da sinalização de queda na taxa de juros. Segundo, pelo próprio calendário. Muitos consumidores aguardam a entrada de bônus no fim do ano para trocar de carro. Em relação a preços, Dotto diz que a tendência é que se mantenham em patamar linear. Em agosto, a tabela Fipe trouxe queda média de 1,8% nos seminovos e usados.



