A retomada da economia brasileira deve continuar a passos lentos nos próximos meses, segundo a avaliação de economistas. O avanço do coronavírus, as negociações no entorno da reforma tributária e as decisões sobre taxa básica de juros, a Selic, terão impacto considerável no resultado do Produto Interno Bruto (PIB), conforme analistas de mercado.
Professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Marcelo Portugal estima que dificilmente o país conseguirá atingir a casa dos 2% no PIB de 2020. Conforme o especialista, o impacto do coronavírus nos mercados mundiais provocará estragos na economia brasileira.
— Vai ter efeito negativo, no sentido das pessoas não saírem de casa, não viajar. Isso vai afetar o comércio e os serviços. Não só neste primeiro trimestre, mas principalmente no segundo — avalia.
Portugal pondera que a possibilidade de reduções na taxa básica de juros podem pesar no outro lado da balança, amenizando os revezes na economia.
Claudio Considera, economista e pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), entende que o país precisa primeiro se fortalecer internamente no ponto de vista econômico antes de se preocupar com questões externas. O país fica mais sensível aos problemas de fora, de acordo com o economista:
— Se nós tivéssemos um organismo fortalecido pelas reformas, o coronavírus iria bater, mas as pessoas sofreriam menos. Teria menos impacto na economia. Temos de parar de olhar para fora, ficar culpando a crise argentina, a batalha comercial entre Estados Unidos e China, quando não reclamamos dos problemas que temos aqui dentro.
Diretora da área de macroeconomia e análise setorial da Tendências Consultoria, Alessandra Ribeiro, estima que as estimativas de PIB na casa dos 2% em 2020 devem perder força.
— A gente terminou 2019 com uma certa frustração. A gente esperava uma aceleração maior, que acabou não vindo em relação ao terceiro trimestre. Além disso, tem a questão do coronavírus. Isso deve jogar nossa estimativa de PIB para 1,7%, 1,8%. É uma aceleração, mas bem mais modesta — projeta.



