O aclamado ator nova-iorquino Kirk Douglas se despede de Hollywood aos 103 anos com uma carreira que percorreu mais de 80 atuações marcantes, produções audaciosas e uma direção competente. Ele ingressou no cinema aos 30 anos no romance O Tempo Não Apaga (1946), em que interpreta o coadjuvante Walter O'Neil.

No ano seguinte, deu vida a Peter Niles em Conflito de Paixões. O protagonismo chegou naquele mesmo 1947, quando interpretou Noll Turner, o ex-parceiro de contrabando de Frankie Madison (Burt Lancaster), em Estranha Fascinação.
A partir de 1949, Kirk figurou entre as estrelas com a atuação em O Invencível (1949), no qual interpretou Midge Kelly, que em uma viagem com o irmão acaba sendo forçado a participar de uma luta de boxe profissional. A atuação lhe rendeu a primeira indicação ao Oscar.

Em 1959, protagonizou Êxito Fugaz. Na trama, ele é Rick Martin, um jovem, sem rumo na vida, que descobre seu talento como trompetista. Em 1951, interpretou o jornalista Chuck Tatum, que pula de emprego em emprego no longa Montanha dos Sete Abutres. Já em 1954, foi o arpoador experimentado Ned Land na adaptação cinematográfica de 20.000 Léguas Submarinas, dirigida por Richard Fleischer.

A década de 1950 reservou ao ator mais duas indicações à estatueta mais concorrida do cinema: em 1952, foi nomeado por Assim Estava Escrito, onde deu vida ao inescrupuloso produtor Jonathan Shields, e em 1956 repetiu a dose com a biografia de Vincent Van Gogh, Sede de Viver.
Mesmo sem faturar o Oscar, Kirk continuou estrelando filmes que se tornaram sua marca registrada, entre eles Glória Feita de Sangue (1957), dirigido por Stanley Kubrick e ambientado na Primeira Guerra Mundial. Em 1959, em Duelo de Titãs, interpretou Matt Morgan, um xerife local de reputação ilibada. Nesta produção, atuou com o premiado ator Anthony Quinn.

Uma das atuações mais lembradas de Kirk, no entanto, vem no final da década de 1950. Repetindo a parceria com Kubrick, ele viveu o rebelde Spartacus no longa homônimo. O personagem é homem que nasceu escravo e lidera uma rebelião pela liberdade.
Aos 62 anos, Kirk estrelou outro longa que lhe rendeu elogios: A Fúria (1978). Na trama, um plano diabólico separa o agente da CIA Peter Sandza de seu filho, Robin (Andrew Stevens).

No início dos anos 2000, o ator surgiu ao lado do filho Michael Douglas na comédia Acontece Nas Melhores Famílias (2003). Os atores encarnam pai e filho que enfrentam problemas de relacionamento.
As indicações para o Oscar não continuaram depois dos anos 1950, mas em 1996 o ator recebeu da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas um prêmio honorário pelos 50 anos de uma carreira notável. Por sua filmografia, também foi homenageado com o prêmio especial Cecil B. DeMille, no Globo de Ouro.

