A menos de 40 dias da posse, o futuro governador Eduardo Leite ainda não anunciou sequer um secretário e não demonstra pressa para escalar a equipe, embora admita que já fez vários convites além do secretário da Fazenda, que virá de outro Estado. A demora é estratégica: Leite não quer desviar o foco da votação do projeto que prorroga a validade das alíquotas de ICMS por dois anos, prevista para 11 de dezembro.
— Estamos na fase de preparação para a decolagem. Como se diz na aviação, vamos usar toda a pista — diz.
É para "usar toda a pista" que Leite embarcará nesta quinta-feira (22) para São Paulo e, na sexta (23), para Londres, sem nem mesmo revelar quantas secretarias terá e qual será a nomenclatura das pastas no novo governo. Uma ideia inicial é desmembrar ciência e tecnologia do desenvolvimento econômico, para garantir foco na inovação:
— Embora inovação tenha tudo a ver com desenvolvimento econômico, avaliamos que pode ser mais produtivo ter uma pasta cuidando da economia tradicional e outra dedicada à inovação.
O perfil do secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação está definido. Será alguém ligado à universidade, com boa rede de contatos no meio acadêmico do Brasil e do Exterior e clareza da importância da inovação para a economia do Estado dar um salto de qualidade.
Pela lógica da afinidade, Minas e Energia, recentemente agregada ao Desenvolvimento Econômico, deverá se manter sob esse guarda-chuva. Com a perspectiva de as empresas do setor serem privatizadas, o papel da secretaria será de fazer a relação com os investidores privados. É possível que Turismo saia da Cultura e se una ao Desenvolvimento ou ganhe autonomia. A Secretaria dos Transportes deverá voltar a se chamar de Infraestrutura, para acompanhar o conceito da pasta.
Na segurança pública, está definido o desmembramento em duas áreas distintas. Uma terá sob seu comando a Brigada Militar, a Polícia Civil e o Instituto-Geral de Perícias. A outra ficará com a construção e gestão dos presídios.
O perfil mais difícil de encontrar é o de secretário da Educação. Além de ser o gestor de uma área com mais de cem mil servidores ativos e inativos, coisa que nenhuma empresa no Estado tem. O escolhido terá de ser alguém capaz de pensar uma educação inovadora, sem entrar em confronto com os protagonistas. Nomes com alta qualificação técnica foram descartados pela convicção de que não tinham perfil para a administração de conflitos.
Os primeiros nomes indicados para a transição devem fazer parte do governo, mas até em relação a esses Leite prefere manter o suspense. São eles: Lucas Redecker, Cláudio Gastal, Artur Lemos, Paulo Pereira e Antônio Padilha. Gastal, cotado para Planejamento ou Secretaria-Geral de Governo, vai acompanhar Leite na viagem a Londres. Ele também foi convidado pela Fundação Leman para o curso na Universidade de Oxford, que terá um módulo sobre gestão pública e outro sobre educação.



