Os recados vêm de várias fontes. Empresários atribuem parte da alta do dólar à crise política — como o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes — analistas detalham que o cenário externo dita a tendência, mas a incerteza doméstica aprofunda o sinal negativo por aqui. Hoje foi um caso típico. Bolsas perderam em quase todas as praças diante do aumento do contágio por coronavírus em países que flexibilizaram o isolamento social, caso de Cingapura e Alemanha. Mas Nova York recuou 0,45%, enquanto em São Paulo a queda foi de 1,49%. O dólar bateu ontem em R$ 5,824, novo recorde.
O mercado fechou sem saber se o presidente Jair Bolsonaro cumpriu ou não o compromisso assumido com seu ministro da Economia, Paulo Guedes, de vetar exceções a reajustes para servidores públicos estaduais. Bolsonaro havia se comprometido em público a acompanhar a recomendação do ministro. Mas a aproximação do governo com o Centrão virou obstáculo para fazer o gesto que confirmaria que "segue a cartilha" de Guedes. Também seguiu as informações do depoimento do ex-diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo. Esse estresse não precisaria estar no radar de investidores se o presidente não tivesse
criado um novo foco de crise.
Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Maurice Obstfeld, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), afirmou que "a resposta desdenhosa do presidente Bolsonaro à doença vai custar caro ao Brasil, tanto em termos de vidas como de renda." No Brasil, o comportamento do presidente é visto com mais respeito do que no Exterior. A imagem só se deteriora.






