O resultado do crescimento econômico no ano passado, divulgado nesta quarta-feira (4) pelo IBGE, não teve grandes surpresas. No acumulado do ano, o avanço discreto foi de 1,1%, totalmente alinhado às expectativas.
O ritmo do último trimestre de 2019, que costuma ser olhado com lupa pelos economistas, por representar perspectiva de embalo (ou não) para o ano seguinte, também não surpreendeu. Subiu 0,5%, conforme a média das previsões, mas deu até certo alívio diante da queda na indústria e da desaceleração no comércio e nos serviços observadas no período.
Nada dramático, mas nada alentador para 2020. Repete a história dos dois anos anteriores, com resultados positivos, mas insuficientes para sustentar o tamanho da retomada de que o Brasil precisa para zerar as perdas de 2015 e 2016 e engatar crescimento visível para a população, o que não ocorreu até agora.
Outro indicador de futuro nessa paisagem de retrovisor, a taxa de investimento, segue marcando passo, em 15,4%, ante 15,2% em 2018. A má notícia é que, no último trimestre do ano passado, o indicador que mede o apetite por novos projetos, chamado Formação Bruta de Capital Fixo, caiu 3,3%, depois de ter avançado 2,6% no segundo trimestre e 1,3% no terceiro. Não fosse uma surpreendente expansão de 0,4% nos gastos do governo de outubro a dezembro, o resultado poderia ter sido um susto. O problema é que é difícil sustentar projeções de alta de 2% para 2020 com retração de investimentos — com ou sem coronavírus.
Um dos dados mais aguardados — mas também já bastante antecipado — foi a confirmação do fim da recessão na construção civil, que se estendeu até 2018. A alta de 1,6% em 12 meses foi o primeiro resultado positivo após cinco anos consecutivos de queda.




