
O torcedor deve estar se perguntando o mesmo que o país inteiro. Por que o Grêmio não foi mais vezes como neste domingo, quando passava por cima do Corinthians, do Itaquerão, da Gaviões da Fiel, do foguetório no hotel e vencia por 1 a 0 com matizes heroicos diante do peso que havia sobre os ombros da instituição tricolor?
Tivesse se comportado dessa maneira meia dúzia de vezes, jamais chegaria a essa situação vexatória de quase rebaixamento. Em São Paulo, o Grêmio foi para cima desde o começo. Marcou alto. Dobrou marcação. Enfrentou. Fez cera. Dividiu todas. Então, o técnico Vagner Mancini errou feio. Resolveu fechar a casinha no segundo tempo, a praga que colocou o Grêmio nessa situação. Acovardou-se.
Mancini redesenhou o time com três zagueiros, Vanderson e Ferreira nas alas, mais Lucas Silva, Sarará e Villasanti no meio. Três volantes, sem meia. Um muro imóvel atrás, que fez o Corinthians se soltar sem medo e ter muita posse. Girava a bola, apenas? Sim, mas sempre se aproximando e se aproximando. E empurrando o Grêmio para trás.
Foi o óbvio chamariz do castigo: golaço de fora da área, a 42 do segundo tempo. Não fossem os milagres de Gabriel Grando, o Grêmio teria sido rebaixado ontem. Vai ganhar do Galo reserva na última rodada, isso é certo.
O problema é ter de rezar por tropeços seguidos de Juventude, Cuiabá e Bahia. Dois destes não podem mais pontuar. Complicou muito. O rebaixamento poderá se consumir ainda nesta segunda-feira, dia em que completa seis meses no Z-4. A esperança é só matemática, embora exista.



