
O desaparecimento de um casal de namorados há um ano, em Porto Alegre, levou a Polícia Civil a descobrir que uma das vítimas foi assassinada e a outra estava escondida por medo. O grupo que estaria por trás desse crime é alvo de uma operação da Delegacia de Investigação de Desaparecidos nesta terça-feira (12). Mandados são cumpridos nesta manhã na Capital, em Gravataí e Alvorada, na Região Metropolitana, e também em Tapes, na Região Sul. Até as 8h45min, quatro pessoas haviam sido presas.
São 39 ordens judiciais, sendo oito mandados de prisão – um deles de preventiva e sete temporárias –, além de 31 de busca e apreensão. Segundo o delegado Thiago Almeida Lacerda, a investigação teve início após o sumiço do casal em dezembro do ano passado. Os namorados desapareceram na Vila Cruzeiro, na zona sul de Porto Alegre. Os nomes das vítimas não foram divulgados para preservar a identidade da jovem, que sobreviveu.
Ao longo de 11 meses de apuração, os policiais descobriram que a jovem estava escondida, com medo de ser alvo de represálias de uma facção criminosa. Há um ano, ela e o namorado teriam sido arrebatados pelo grupo criminoso. O namorado dela foi executado e teve o corpo ocultado pelo grupo criminoso. Já a mulher chegou a ser torturada e ameaçada de morte para que não procurasse a polícia, e, por isso, mantinha-se escondida.
O desaparecido teria vínculo com uma facção de Canoas, na Grande Porto Alegre. A suspeita é de que ele tenha sido morto por estar no território de atuação de uma facção rival, na Capital. Em razão disso, o grupo criminoso teria determinado sua execução. Mas a motivação ainda será detalhada pela polícia.
Ossada
Durante a investigação, foi localizada uma ossada humana, que se suspeitava ser do homem desaparecido. Foi necessário realizar exame de DNA para verificar se os restos mortais eram mesmo da vítima. A perícia acabou confirmando que se tratava do homem levado pelo grupo criminoso. A polícia chegou ao nome dos suspeitos de terem sido os mandantes e os executores, tanto do homicídio e da ocultação do cadáver do homem, como da tortura da mulher.
Apontado como responsável por ordenar o crime, um dos alvos da operação teve prisão preventiva decretada, e os suspeitos de serem os executores tiveram expedidos mandados de prisão temporária. A ofensiva desta manhã conta com apoio da Brigada Militar.
Evitar ocultação de homicídios
Segundo o diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Mario Souza, um dos objetivos da operação é identificar possíveis casos nos quais pessoas tenham desaparecido por terem sido vítimas de homicídios.
— Temos conseguido reduzir os homicídios, focando no combate ao crime organizado, que ainda é o responsável pela maioria dos assassinatos. Neste caso, estamos tratando de uma investigação que se iniciou como um desaparecimento de um casal, mas que, na verdade, escondia um homicídio. Identificamos os envolvidos no sumiço e todo o grupo criminoso que está por trás deste desaparecimento. Assim como em outras investigações, todos os envolvidos direta ou indiretamente serão responsabilizados. Não podemos ter redução de homicídios e aumentos de desaparecimentos. Então é um controle que fazemos sempre
— afirma o delegado.
Esta delegacia, especializada em investigar desaparecimentos, foi criada em Porto Alegre há dois anos. Ao longo deste ano, 870 desaparecimentos foram registrados na Capital, e 502 localizações de desaparecidos foram notificadas no mesmo período. No ano anterior, tinham sido registrados 934 desaparecimentos.
Quando ocorre um desaparecimento, a polícia segue um protocolo com uma série de medidas para tentar a localização. Na maioria das vezes, os policiais descobrem que a pessoa havia desaparecido por vontade própria.
— A maior parte dos desaparecimentos não envolvem homicídios, longe disso. A imensa maioria envolve situações em que a pessoa desapareceu por vontade própria. Então, a família, os amigos fazem o registro. Na maioria dos casos registrados em Porto Alegre, não há crime, nem vítima. Ainda assim, em todos eles fazemos esse trabalho, seguindo um protocolo rígido. Neste caso, descobrimos um homicídio — afirma Souza.
Dicas de como agir
Em desaparecimentos
- Registre o desaparecimento na polícia assim que for percebido;
- Leve uma fotografia atualizada para repassar aos policiais;
- Outras informações relevantes no momento do registro são saber se a pessoa tem telefone celular e se foi levado junto, se possui redes sociais, os dados de conta bancária, se possui veículo e qual a placa, locais que costuma frequentar, pessoas com quem mantêm contato (amigos, familiares), se é usuária de drogas e se houve alguma desavença que pode ter motivado o sumiço;
- Comunique o desaparecimento aos amigos e conhecidos, que podem auxiliar com informações. Ao divulgar o sumiço, informe os contatos de órgãos oficiais como Polícia Civil e Brigada Militar para receber informações. Isso evita que criminosos interessados em extorquir familiares de desaparecidos se aproveitem da situação;
- Outra orientação importante é que as famílias comuniquem à polícia não somente o desaparecimento, mas também a localização. É muito comum os policiais depararem com casos de pessoas que não estão mais desaparecidas, mas que no sistema constam como sumidas porque o registro de localização não foi feito.
Se forem crianças ou adolescentes
- Percorra locais de preferência da criança;
- Saiba informar quem são os amigos dela e com quem pode estar;
- Esteja atento às roupas que a criança ou adolescente está usando e, em caso de sumiço, descreva para a polícia;
- Mantenha alguém à espera no local de onde ela sumiu. É comum que ela retorne para o mesmo ponto;
- Ensine as crianças, desde pequenas, a saberem dizer seu nome e o nome dos pais;
- Quando a criança ou adolescente for localizado, informe a polícia.


