
Diretor de comunicação do Uber no Brasil, Fabio Sabba esconde os números da operação em Porto Alegre, mas garante que o crescimento do serviço na Capital é o mais rápido do país. Em entrevista a Zero Hora, feita nesta terça-feira por telefone, ele afirma que - ao contrário do que diz a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) - a empresa já mantinha contato com a prefeitura antes de desembarcar na cidade, no dia 19 do mês passado. O executivo estará em Porto Alegre nesta quarta-feira, onde, pela manhã, participa com outros diretores do Uber de um evento sobre tecnologia e mobilidade na Associação Brasileira de Empresas de TI do RS (Assespro-RS).
8 perguntas e respostas sobre o Uber
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Como está o uso do Uber em Porto Alegre?
Porto Alegre é a cidade em que o número de motoristas e usuários do Uber cresceu mais rápido nas primeiras semanas de operação. Em 10 dias, já havia uma elevação expressiva de novos cadastros no aplicativo. Isso nos surpreende, embora nossa meta seja os índices de satisfação dos usuários.
Qual o número de motoristas e usuários na Capital?
Optamos por não abrir esses dados por cidade. Achamos que vale mais a pena divulgar por país, e no Brasil são mais de 7 mil motoristas.
Por que o Uber resiste em dar essas informações?
Em todo lugar optamos por não divulgar por cidade, exceto em mercados mais maduros, onde estamos há mais tempo, como Nova York. No Brasil, começamos no Rio de Janeiro em maio do ano passado. É muito recente.
Por que Porto Alegre teria aderido mais rápido ao serviço?
O cidadão de Porto Alegre está interessado em ter outro jeito de andar pela cidade e busca um complemento ao transporte público. Isso fica claro pela boa quantidade de ciclovias, por exemplo. Além disso, é possível que os gaúchos tenham utilizado o Uber em outras cidades onde já estávamos consolidados antes, como Rio e São Paulo e até o Exterior, e, então, já sabiam como funcionava.
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A resistência da prefeitura em aceitar o Uber e a agressão de um motorista por taxistas no último dia 26 podem ter criado um ambiente de comoção que favoreceu o uso do aplicativo?
Acho que uma coisa não tem a ver com outra. Os usuários querem um serviço de qualidade e liberdade de escolha, por isso utilizam o Uber.
Por que prefeituras e vereadores resistem à chegada do Uber (o serviço opera por liminares em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, onde foram criadas leis municipais para impedi-lo)?
Isso ocorre em razão da falta de conhecimento deste modelo de negócio. Há muitos serviços de transporte público, mas as prefeituras não têm bem claro quais as diferenças do serviço privado. A legislação federal ampara serviços como o Uber,
mas como os municípios não regularam, podem considerar ilegal - e não é. Já nos reunimos com a prefeitura de Porto Alegre para avaliar uma regulamentação.
Por que essa reunião ocorreu apenas depois da agressão do motorista?
Nós já estávamos conversando com a prefeitura de Porto Alegre antes de iniciar o trabalho.
A EPTC diz que a operação começou antes da reunião marcada com a prefeitura.
Não, nós já vínhamos mantendo contato - não com o prefeito, mas com equipes do Executivo. Não sei precisar agora com qual secretaria, mas o contato já vinha ocorrendo (procurada pela reportagem após a entrevista com Fabio Sabba, a EPTC reafirmou que não houve qualquer contato do Uber com a prefeitura antes do início do serviço).




