
Para que frases como "eu não vi a placa" e "foi só por um minutinho" sejam cada vez menos ouvidas pelas vias de Porto Alegre, cadeirantes se reuniram na Rua Padre Chagas, no bairro Moinhos de Vento, nesta sexta-feira. Ocupando, com as cadeiras, vagas para carros, eles chamaram a atenção de motoristas e motociclistas para a conscientização e o respeito no trânsito.
Rafael Correa, 37 anos, é empresário e se desloca diariamente por Porto Alegre e Região Metropolitana. Todos os dias, ele visita entre cinco e 10 clientes. Vai com o carro adaptado, monta e desmonta a cadeira de rodas em menos de um minuto. Para ele, obstáculo é encontrar carros de não cadeirantes estacionados no único lugar que lhe seria acessível.
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- A frustração vem em 70% das tentativas de estacionar o carro. Eu sempre contesto. Mas aí me xingam, soltam um "não vou nem discutir", e mostram preconceito. Sempre digo que vou começar a levar uma cadeira de rodas no porta-malas e convidar essas pessoas a dar uma volta comigo, para ver como é ser um cadeirante - diz Correa.
A mobilização foi organizada pela Secretaria Municipal da Acessibilidade e Inclusão Social (Smacis), em parceria com a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). O evento, realizado já outras duas vezes no Centro, chegou ao Moinhos de Vento, desta vez, por sugestão de Luiz Portinho, cadeirante presidente da associação RS Paradesporto.
- É um bairro onde tem menos vagas especiais. E, quando tem, elas costumam ser indevidamente utilizadas. É preciso chamar atenção para o desrespeito que é ocupar a vaga de quem depende dela. O sentimento, quando isso acontece, é de indignação - resume Portinho.
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Conforme o secretário da Smacis, Raul Cohen, recentemente foram demarcadas sete vagas especiais na Rua Padre Chagas - seis para idosos e uma para pessoas com deficiência. Rampas de acesso também estão previstas em todas as esquinas do logradouro até o fim de setembro. Espaços como esses devem ser delimitados em outras vias da Capital.
Para Rotechild Prestes, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Porto Alegre, campanhas como essas são importantes. Mas também devem ser lembrados deveres dos próprios cadeirantes e idosos, que ocupam essas vagas especiais.
- Não adianta contestar o direito de estacionar sem ter no carro a credencial para tanto. É preciso que esses espaços sejam usados com legitimidade. Isso pode até facilitar as equipes de fiscalização a saber quando um carro não autorizado está ocupando uma vaga especial e multá-lo - lembra Prestes.
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A credencial pode ser feita junto à Smacis. A infração para quem estaciona em vaga especial sem ter direito para tanto é considerada leve pelo Código de Trânsito, e resulta em punição de R$ 53,20 mais a anotação de três pontos na carteira.
*Zero Hora

