
O primeiro depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz Sergio Moro, em 10 de maio, durou quase cinco horas. Enquanto a tensão tomava conta das redes sociais, com embates entre apoiadores do réu e do magistrado, o interrogatório transcorria em tom mais ameno na sala da 13ª Vara Federal, em Curitiba, com espaço até para brincadeiras.
À época, o depoimento foi marcado para tratar da acusação de que o petista teria recebido vantagens ilícitas da empreiteira OAS por meio de um triplex no Guarujá, no litoral de São Paulo, e do suposto armazenamento de bens depois que deixou a Presidência. Embora negue as irregularidades apontadas nas investigações, Lula foi condenado a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
— A verdade é a seguinte: não solicitei, não recebi, não paguei e não tenho nenhum triplex — afirmou o ex-presidente, que vestia gravata com as cores da bandeira brasileira, logo no início do interrogatório.
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A Moro, Lula também declarou que o interesse em adquirir uma cota no empreendimento Solaris havia sido uma iniciativa da ex-primeira-dama Marisa Letícia, que morreu em fevereiro deste ano. O petista acrescentou que não solicitou reformas no imóvel, embora tenha constatado "muitos defeitos no prédio" durante uma visita.
— No dia em que eu fui ver (o triplex), me dei conta de que não era possível que eu tivesse um apartamento naquele local. Eu não teria como visitar a praia. O apartamento era muito pequeno para uma família de cinco filhos, oito netos e, agora, uma bisneta — disse.
Moro iniciou a audiência dizendo não ter desavença pessoal com o petista. Durante o depoimento, o magistrado permitiu que, mais de uma vez, o ex-presidente abordasse assuntos alheios ao processo.
Depois do interrogatório, Lula se deslocou até a praça Santos Andrade, no centro de Curitiba, onde 7 mil pessoas o aguardavam. Em discurso emocionado, salientou estar preparado para voltar à Presidência e reafirmou sua inocência no caso do triplex.
— Eu não seria digno de vocês se tivesse alguma culpa e estivesse aqui falando com vocês agora. Vou prestar quantos depoimentos forem necessários. Se tiver um ser humano que está em busca da verdade, sou eu — destacou.
No final do pronunciamento, Lula chorou.
— Se um dia eu tiver de mentir para vocês, prefiro que um ônibus me atropele em qualquer rua desse país. Eu jamais poderia mentir para vocês — ressaltou.
O petista chegou à praça após deixar o prédio da Justiça Federal em uma comitiva escoltada por batedores da Polícia Militar. No início do pronunciamento, no qual teve a companhia da ex-presidente Dilma Rousseff, ouviu gritos de "Lula, guerreiro do povo brasileiro".
O segundo depoimento
No segundo depoimento a Moro, marcado para esta quarta-feira (12), o pestista terá de explicar uma doação feita pela Odebrecht. O depoimento está marcado para as 14h de quarta-feira (13) na Justiça Federal de Curitiba.
Conforme denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o petista recebeu propina da empreiteira para compra de um terreno destinado a abrigar a sede do Instituto Lula em São Paulo e de um apartamento vizinho ao que o petista reside em São Bernardo do Campo (SP). Em troca, a Odebrecht teria sido beneficiada em contratos com a Petrobras.



