
Menos de uma semana após o Ministério Público de São Paulo abrir procedimento preparatório de inquérito para apurar as viagens realizadas pelo prefeito da capital paulista, João Doria (PSDB) afirmou que paga os deslocamentos com seu próprio dinheiro. Em evento em Porto Alegre, o tucano disse que "não há nada de errado" em suas agendas nacionais e internacionais.
— Nossa resposta será encaminhada hoje (segunda-feira). Não preciso de 20 dias para provar o óbvio. Não há problema em viajar pelo Brasil, até porque viajo com meu dinheiro, meu avião e meu automóvel. Não preciso de dinheiro público. Estou fazendo política pública, intercambiando programas na área de saúde, educação, inovação e zeladoria urbana — alegou.
O MP abriu o procedimento a partir de representação do diretório do PT paulistano na última quinta-feira (14) e concedeu prazo de 20 dias para que o prefeito enviasse uma justificativa para os deslocamentos. A Promotoria do Patrimônio Público e Social quer esclarecer "suposta irregularidade" praticada por Doria ao ir para Palmas, no Tocantins, em agosto, com "status de candidato à Presidência da República".
Leia mais
Rosane de Oliveira: Doria frustra quem esperava propostas claras para o país
Doria afirma em vídeo que viaja com o próprio dinheiro
De selfie em selfie, Doria constrói candidatura para presidente em 2018
Segundo o PT, a maioria das viagens ocorre em horário de expediente e com intuito de promoção pessoal. O MP quer apurar se houve gasto de recursos públicos para o custeio das agendas fora de São Paulo.
De acordo com o projeto independente "Onde está João Doria", que acompanha sistematicamente as atividades de Doria, a ida a Porto Alegre representou o 49º dia do tucano fora da capital paulista desde que assumiu a administração municipal — o número representa 18,8% de seu mandato.
Na capital gaúcha, o tucano palestrou no Fórum de Gestão do Rio Grande do Sul, promovido pelo instituto empresarial Lide, criado por ele mesmo em 2003. Durante pouco mais de meia hora, discursou sobre a necessidade de "unificar" o país, defendeu as reformas apresentadas pelo governo federal e destacou a sua política de privatizações.
— Se não estivermos mobilizados pela defesa do Brasil, o risco está na extrema esquerda ou na extrema direita. O Brasil não precisa de extremos, mas de crescimento, paz, respeito — sublinhou.
Leia também:
VÍDEO: um dia na agenda de João Doria
"É preciso ter consciência de que o PT não morreu, nem o petismo", diz Doria
MP abre procedimento para investigar viagens de Doria pelo Brasil
Doria nega que esteja em ritmo de pré-campanha. Nos bastidores, porém, sabe-se que disputa com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, a vaga do PSDB para concorrer à Presidência em 2018. Em seu discurso, também derramou críticas aos tucanos:
— Nem Lula acabou, nem o PT terminou. O Brasil pagou um preço claro, inclusive o meu partido, por não ter, no momento oportuno, o discernimento de reconhecer que os riscos no país eram grandes. Lembram-se do "deixem sangrar"? Quem sangrou foi o Brasil.
Em meio à palestra, o prefeito desceu do palco e falou ao microfone caminhando entre o público de cerca de cem pessoas, composto sobretudo de empresários e políticos gaúchos. Doria encerrou a conferência aos gritos de "Viva o Rio Grande do Sul! Viva o Brasil!" e ao som da música que acompanhava as vitórias de Ayrton Senna na Fórmula-1. Sob o Tema da Vitória, deixou o salão aplaudido de pé.



