
Após manifestar o desejo de sair da região de Caxias do Sul no sistema de distanciamento controlado do Governo do Estado, a prefeitura de Vacaria desistiu de tornar os Campos de Cima da Serra uma zona independente. A informação foi confirmada pela titular da 5ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), Tatiane Misturini Fiorio, que recebeu a oficialização do declínio do pedido na quinta-feira (18).
A vontade da administração municipal de Vacaria de sair da região de Caxias do Sul foi uma decorrência da bandeira vermelha para os 49 municípios que fazem parte da 5ª CRS anunciada no sábado (13) e em vigor desde segunda-feira (15). No entendimento do prefeito Amadeu Boeira (PSDB), a situação está controlada nos Campos de Cima da Serra e as cidades seriam prejudicadas com o fechamento do comércio e serviços não essenciais. No entanto, a coordenadora regional de Saúde explica que houve uma reavaliação das prefeituras, que passaram a considerar que poderiam ter um prejuízo nos cálculos estaduais devido ao número de leitos:
— Cinco pacientes diluídos em um quantitativo de leitos da (região) Macro Serra têm um peso percentual; cinco pacientes, como referência só o Hospital Nossa Senhora da Oliveira, que tem 10 leitos, já vai equivaler a 50% da utilização. Então, em um primeiro momento, essa separação seria benéfica, porque a região poderia ir para uma bandeira laranja ou até amarela, mas logo ali na frente, no mínimo avanço de casos, como o índice percentual de um paciente iria aumentar muito considerando o número de leitos, a probabilidade de avançar para uma bandeira vermelha ou preta seria muito alta. Então, ali na frente, isso poderia prejudicar a região.
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O prefeito de Vacaria afirmou que a proposta pode voltar a ser feita ao Estado no futuro. Ele reclama de uma suposta dificuldade de diálogo com a direção do Hospital Nossa Senhora da Oliveira para receber informações sobre a disponibilidade de vagas para internação na terapia intensiva por covid-19. A gestão do hospital, por outro lado, diz ter uma relação estreita e constante com a Secretaria Municipal da Saúde. Segundo Boeira, caso tenha acesso a todas as informações do hospital e houver aumento de leitos, ele voltará a pedir a cisão da região.
Outros municípios querem divisão
Embora os Campos de Cima da Serra tenham desistido da ideia de sair da chamada Macro Serra, a medida ainda não está descartada por outros municípios. Conforme a secretária da Saúde de Farroupilha, Vanessa Zardo, o município protocolou também na quinta-feira um pedido para o desmembramento. Farroupilha quer ficar incluída na chamada microrregião Uva e Vales, com outros 11 municípios e uma população de cerca de 200 mil habitantes, em que seria referência para internação em UTI _ o Hospital São Carlos tem 15 leitos de terapia intensiva.
Caxias do Sul também pleiteia a divisão. Em ofício encaminhado no início da semana ao governador Eduardo Leite (PSDB), o prefeito Flavio Cassina (PTB) sugeriu que sejam quatro microrregiões com indicadores avaliados. Caxias e a Região das Hortênsias seriam uma dessas zonas. Além dessa, da Uva e Vales e dos Campos de Cima da Serra, a quarta seria a Vinho e Basalto, que tem como maior município Bento Gonçalves. O secretário da Saúde de Caxias, Jorge Olavo Hanh Castro, e a secretária de Farroupilha apontam que a principal vantagem seria o fato de que, caso uma dessas regiões tenha indicadores que elevem o nível para a bandeira vermelha ou para a preta, menos municípios seriam obrigados a tomar medidas mais drásticas para a economia.
O prefeito de Bento Gonçalves, Guilherme Pasin (PP), que também exerce a função de secretário da Saúde do município, diz que não se opõe à mudança, apenas defende um amplo debate sobre o assunto. Na avaliação dele, a subdivisão pode garantir mais facilidade no diálogo, mas municípios menores podem vir a ser prejudicados no futuro com o avanço da doença e menos leitos à disposição.
