
A prefeitura de Gramado decretou calamidade pública e endureceu as regras para o combate do coronavírus na cidade na tarde desta segunda-feira (23). Agora, além da proibição do funcionamento de estabelecimentos comerciais e de hotéis, em vigor desde sexta-feira (20), o novo decreto determina que a população permaneça em casa.
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Segundo o secretário de Inovação e Desenvolvimento Econômico do município, Anderson Boeira, as medidas mais restritivas foram tomadas porque muitas pessoas ainda estavam saindo às ruas. Além disso, também traz mais facilidade jurídica para o enfrentamento da crise.
— Ela permite que o município tome medidas mais rápidas para compras, por exemplo. Também existem muitas obras, inclusive federais que com o decreto passam a ter mais prazo — explica.
Desde o fim de semana equipes de fiscais já circulavam pelas ruas com carro de som orientando a população a ficar em casa, além de manter barreiras para prestar informações nos acessos à cidade. Entre sábado (21) e domingo (22), a administração municipal também recebeu 250 denúncias de estabelecimentos que seguiam abertos. Dois bares chegaram a ter o alvará cassado porque insistiam em manter o funcionamento mesmo após a visita dos fiscais.
— No sábado, a fiscalização teve que ir quatro vezes em um bar. Na quarta, o alvará foi cassado e o estabelecimento fechado — revela o secretário.
O decreto de calamidade pública mantém o funcionamento de atividades essenciais, como as da área da saúde e alimentação, caixas eletrônicos, serviços de telecomunicação e atividades que auxiliam qualquer setor considerado essencial. Também deixa mais claras as regras para agricultura e produção de carvão e lenha, que estão permitidos mas eram alvos de dúvidas durante a vigência do decreto anterior.
O presidente do Sindicato da Hotelaria, Restaurantes, Bares, Parques, Museus e Similares da Região das Hortênsias (Sindtur), Mauro Salles, concorda com as medidas, apesar do impacto que elas podem gerar na economia do município.
— Hoje o que temos fazer, necessariamente, é isso, para evitar que a curva se acelere. Acredito que neste momento foi uma atitude sábia. Apoiamos, mesmo que seja trágico para os negócios. Nossa luta é preservar a vida de todos e, em segundo lugar, salvar as empresas — defende.
Salles afirma que a entidade está em contato com todas as esferas de governo para encontrar um meio de auxiliar as empresas a fim de evitar demissões durante e depois da crise, embora nenhuma ação esteja ainda definida. A entidade também tem auxiliado na obtenção de máscaras para as equipes de saúde e para policiais civis que atuam nas barreiras informativas nos acessos à cidade.




